Lançado em: 03-03-2017

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e bem! Amados irmãos e irmãs, estamos hoje no primeiro domingo da Quaresma, tempo forte de preparação para a Páscoa do Senhor, onde, somos convidados à oração, ao jejum e a caridade como meios eficazes para nos aproximarmos do Cristo Jesus. A liturgia de hoje nos ensina como deve se portar o cristão para vencer as tentações.

Na Primeira Leitura, percebemos o relato da criação do homem e do pecado original. É Deus que nos criou, nos chamou a existência. A nossa existência corporal tendo relação com a terra, por isso, retornaremos a ser pó. Mas, é o sopro de Deus que nos dá vida. Ele é o oleiro sagrado, afinal a vida do homem está totalmente em suas mãos. Mesmo sendo obras Dele, somos livres e podemos pecar. O pecado de Adão e Eva simboliza o da humanidade. O pecado original não é querer ser igual a Deus em suas qualidades, mas sim, a autossuficiência. Nós todas as vezes que queremos por nós mesmos dizer o que é Bem e o que Mal, esquecendo-se da vontade de Deus, estamos nos afastando do projeto de salvação. E por isso, nos sentimos nus (Cf. Gn. 3,7). Isto significa: sentimo-nos totalmente desprotegidos e envergonhados, essa é a experiência que o pecado nos trás, ficamos totalmente inseguros diante daquilo que nós mesmos buscamos, sentimos vergonha da nossa atitude perante Deus e começamos a querer culpar os outros pelo nosso erro.
Na Segunda Leitura, o Apóstolo Paulo, escreve aos Romanos colocando em paralelo a figura do Cristo e a figura de Adão. Se em Adão observamos uma atitude de autossuficiência, em Cristo vemos o modelo do servo obediente. Ele nos redime da antiga culpa que perdurava de Adão a Moisés, ou seja, que perdurou em toda Antiga Aliança. É a obediência de Jesus, o cumprimento sereno, amoroso e dócil à vontade do Pai, que permitiu a humanidade voltar à plena comunhão com Deus. O Cristo que se permite ser despido no alto da cruz, o faz para que não mais como Adão e Eva nos sintamos nus, mas sim, revestidos das vestes alvejadas no Sangue do Cordeiro. Jesus é então, modelo para a humanidade, modelo do homem e da mulher da nova aliança, de quem se faz um com o Pai, é assim que devemos proceder para fugir da autossuficiência.

O Evangelho nos apresenta a tentação de Jesus. Primeiramente, é preciso entender a concretude deste acontecimento. Não é uma simples tentação, ou um evento corriqueiro, mas sim, um confronto de duas mentalidades: a de Jesus, servo bom e fiel, contra a do mal. Não é simplesmente tentar, mas também, destruir o projeto da salvação que Jesus veio nos trazer. Os 40 dias que Ele passou no deserto, nos recorda os 40 anos que o povo de Israel caminhou em busca da terra prometida. Este número 40 simboliza uma vida inteira. Vejamos o que nos ensina o Papa Bento XVI: “as tentações acompanham todo o caminho de Jesus, e a narração das tentações apresenta-se… uma antecipação, na qual se condensa a luta de todo o caminho. […] Os 40 dias de jejum abrangem o drama da história, que Jesus assume em Si mesmo e suporta até ao fundo”.
As três tentações de Jesus, são também as tentações que todo homem e mulher que buscam fazer a vontade do Pai sofrem. A primeira tentação é a do poder. Ela representa a imagem de um Messias que vem saciar a sede material de Israel, sendo assim, o questionamento inicia-se se referindo se Jesus é o filho de Deus, o Messias esperado por Israel, por isso, transformar as pedras em pão (Cf. Mt. 4, 3). O povo esperar um Salvador que viesse saciar a fome, reerguer um reino vitorioso, mas o reinado de Jesus é diferente, não que Ele não se preocupe com a fome de pão, afinal se compadeceu da multidão faminta e multiplicou os pães, mas o que Ele vem fazer é nos dar o alimento verdadeiro, é matar a fome da nossa alma, dar sentido e cumprimento pleno a toda palavra que sai da boca de Deus.

A segunda e a terceira têm a ver com o ser e ao ter. Na segunda o convite é feito para que Jesus se atire às pedras, para que os anjos o protejam (Cf. Mt. 4,6). O que está implícito nisso, é um convite à glória pessoal, a um êxito humano. Jesus é convidado a realmente adentrar na imagem do Messias glorioso que Israel possuía. Porém, Jesus é um Rei servidor, foge de toda glória humana, pois sabe qual é o verdadeiro projeto do Pai. A terceira e última tentação é a do possuir. O diabo promete a Jesus todos os reinos do mundo se Ele se ajoelhar diante dele (Cf. Mt. 4,10). Se ajoelhar e adorar significa recusar totalmente o projeto do Pai, ao fazer isso, Jesus romperia com o projeto da salvação e se comportaria como Adão, sendo desobediente. Ter os reinos deste mundo significa, em suma, transformar o reino celestial em um mero reino temporal, onde reina a injustiça e a indiferença. Todavia, Jesus tem no seu coração a palavra de Deus, pois Ele é a própria palavra que se fez carne, e sabe que só a Deus devemos dobrar nossos joelhos. As tentações de Jesus são um anúncio da vitória definitiva que viria pela cruz. É nela que a maior prova de amor nos é dada e que o mal é derrotado para sempre.

Deste modo, o período de Jesus no deserto nos recorda a perene luta do homem perante as tentações. Em toda nossa vida, somos como peregrinos, caminhantes deste deserto e seremos sempre postos à prova. É preciso assim como Jesus, vigiar diante dessas situações e colocar toda nossa confiança em Deus. Outra arma para vencermos as tentações é a oração. Cada vez que, com uma atitude humilde elevamos, o nosso coração a Deus em forma de prece, estamos nos aproximando da vontade do Pai, a oração é uma arma poderosa para que não caiamos nas falsas promessas de felicidade presentes em cada tentação. Que nesta quaresma, possamos entender o verdadeiro sentido da penitência, que não é só nos abstermos de algumas coisas, mas sim, uma vida de conversão. Em toda nossa história sobre a terra devemos nos aproximar de Deus e renunciar ao que não nos convém, essa é a penitência que devemos fazer. Por isso, aproveitemos esse tempo para rezar mais, amar mais, perdoar os que nos ofendem e fazer caridade.

Marcus Vinícius França. Pré-noviço. OFM.Conv



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