Lançado em: 11-03-2017

Reflexão do II Domingo da Quaresma.

1ª Leitura - Gn 12,1-4a
Salmo - Sl 32,4-5.18-19.20 e 22
2ª Leitura - 2Tm 1,8b-10
Evangelho - Mt 17,1-9

Amados irmãos e irmãs Paz e Bem! Estamos chegando ao segundo domingo da Quaresma. O Senhor Jesus, que vimos na semana passada ser tentado e resistindo ao demônio, hoje manifesta a sua glória, a sua divindade, a três dos seus discípulos ao se transfigurar no alto do monte. Vemos na pessoa de Jesus a divindade tão esperada e anunciada pela Antiga Aliança. O Deus que Israel tanto esperou veio ao mundo no terno e misericordioso rosto do Cristo.

Na Primeira Leitura, observamos o chamado de Deus a Abraão. (Cf. Gn 12, 1-2) É Deus que chama, mas é dever do homem estar atento e responder a este doce chamado. Podemos notar que o convite de Deus para nós requer algumas condições básicas: deixar terra, casa e tudo aquilo que pode nos fazer desistir do projeto de amor do Pai. O convite feito a Abraão é o início da origem do povo de Deus, povo que crê na promessa do Senhor de dar uma terra prometida, uma terra abençoada. A fé de Abraão que se manifesta na prontidão em acolher o projeto de Deus, é para nós hoje modelo. Diante dos obstáculos, que se levantam contra a vivência da fé e dos nossos muitos apegos, faz-se necessário estar pronto para responder ao convite do Pai. Sem respondê-lo dificilmente encontraremos à felicidade, só perseverando como Abraão é que podemos ser salvos.

Na Segunda Leitura, encontramos uma das mais belas sínteses da salvação escrita por São Paulo. Nela o convite de Deus é expresso pela gratuidade. A salvação é um dom, nosso chamado a santidade, se dá, não porque merecemos, mas pelo amor misericordioso de Deus que nos criou para o amor, para darmos a Ele a devida adoração. E todo este projeto de Deus se faz pleno, se faz claro na pessoa de Jesus. Só olhando para Jesus podemos dizer sem medo de errar: Deus nos ama! Jesus Cristo é o rosto misericordioso de Deus, é nele que vemos manifesta a glória do Pai.

Hoje o Evangelho nos leva a refletir sobre a transfiguração de Jesus. Primeiramente, precisamos entender que Jesus chama três dos seus discípulos, a saber: Pedro, Tiago e João, eles são as colunas da Igreja. (Cf. Gl. 2,9) Eles também fazem a experiência da agonia mortal de Jesus no Getsêmani. A experiência da transfiguração prepara os discípulos para a dor da crucificação. Vendo o Senhor transfigurado, eles não deveriam temer a cruz, mas sim, acreditar naquilo que viram. A transfiguração é uma antecipação da glória futura do Cristo.

Outro ponto que podemos refletir é sobre a figura de Moisés e Elias que aparecem na transfiguração do Senhor (Cf. Mt. 17,3). O primeiro simboliza a lei, é Moisés que apresenta as tábuas da Lei para o povo de Israel, o segundo simboliza todos os profetas. A figura de ambos, em suma, quer nos mostrar que tudo aquilo que fora dito no Antigo testamento, ou seja, a Lei, que se resume em amar a Deus e ao próximo, e toda profecia, que prometera a vinda de Deus em socorro do seu povo, ganha sentido unicamente em Jesus. Não é preciso mais que Moisés suba ao monte para anunciar os mandamentos, ou direcionar o povo. Agora é o próprio Deus que vem ao nosso encontro e nos aponta o caminho para a salvação na pessoa de Jesus Cristo. Por isso, que do céu escuta-se a voz: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O” (Cf. Mt.17,5).

Vale apena também destacar o pedido de Jesus para que os discípulos não contem a ninguém sobre o que viram (Cf. Mt. 17,9). Isto faz parte da disciplina do segredo messiânico. Israel esperava por um Rei glorioso, um Cristo guerreiro, que reestabelece-se um reino vitorioso e forte. A transfiguração de Jesus poderia alimentar esta mentalidade se fosse espalhada, contudo, este não é o projeto do Pai. Deus vem ao encontro da humanidade em uma forma simples e humilde e para encontrá-lo, precisamos também buscar viver as pequenas coisas com todo amor e dedicação.

Deste modo, é preciso que subamos ao monte com o Senhor para lá renovar nossas forças, contemplar sua glória, para que, a nossa missão de evangelizadores seja sempre fecunda. Todos os domingos somos convidados a assim como os apóstolos, perceber a glória de Deus, que desta vez, se faz presente na fragilidade da hóstia consagrada. O mesmo Jesus que se transfigurou para os apóstolos continua a se doar todos os dias em alimento, para nos dar vida e vida em abundância. Precisamos fazer essa experiência de subir ao monte com o Senhor para que possamos nos preparar para a páscoa que se aproxima.

Marcus Vinícius França. Pré-Noviço. OFM.Conv

 



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