Lançado em: 19-03-2017

Reflexão do III Domingo da Quaresma.

Amados irmãos e irmãs Paz e Bem! Hoje chegamos ao terceiro domingo da quaresma e vamos refletir sobre a verdadeira liberdade que só podemos receber de Jesus. A quaresma é um tempo propício para que possamos refletir e fazer uma revisão da nossa vida e só podemos fazer esse exercício quaresmal quando nos propomos a fazer com Jesus esse caminho pelo deserto.

Na Primeira Leitura percebemos a murmuração do povo de Israel, que caminhando no deserto, começa a interpelar Moisés sobre o porquê de tê-los tirado do Egito, já que lá eram tratados de maneira melhor. (Cf. Ex. 17,3) Devemos ter em mente que esse pecado do povo aconteceu porque eles não viveram a concretude da experiência da liberdade dos filhos de Deus. A liberdade cristã é uma “liberdade de”, que se complementa numa “liberdade para”.
O que quero dizer com isso é que assim como o povo de Israel, somos libertos da escravidão do pecado, do nosso cativeiro espiritual, mas se a nossa liberdade não se configurar em uma adesão plena, livre e consciente ao projeto de Deus, ainda seremos escravos, mas escravos de nós mesmos. O povo que estava livre da terra do Egito agora era escravo do próprio egoísmo, da própria falta de fé, dos seus próprios interesses. A liberdade só é plena quando encontra seu sentido na nossa escolha por Jesus. Por isso, nós muitas vezes queremos voltar ao Egito, queremos voltar à terra da escravidão, é porque ainda não aderimos integralmente ao projeto de Jesus.

Na Segunda Leitura somos confrontados com uma virtude teologal muito importante para que possamos ser verdadeiramente livres em Jesus, a saber: a esperança. São Paulo vai nos dizer que: “[...] a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm. 5,5). A esperança cristã não é uma experiência passiva, não ficamos de braços cruzados esperando vir do céu as respostas, ela é um gesto concreto, afinal não se funda sobre uma ideia, sobre uma filosofia ou sobre uma ilusão. A esperança cristã tem um nome, um rosto e é uma pessoa: Jesus de Nazaré. É com essa esperança que se funda em Jesus que podemos verdadeiramente dizer: somos livres para amar! É também por ela que podemos enfrentar as dificuldades do nosso tempo e não desejar voltar como o povo de Israel, mas seguir em frente.

No Evangelho temos um dos episódios mais belos da Sagrada Escritura, que é o encontro de Jesus com a Samaritana. É preciso ter em mente a rivalidade e a disputa que existia entre os judeus e os samaritanos, e com isso, entender a reação inicial da mulher, com o pedido de Jesus. “Dá-me de beber” (Jo. 4,7). É interessante nos perguntarmos qual a verdadeira sede de Jesus? Essa sede que o evangelista nos apresenta não é meramente uma sede de água, mas sim, uma sede de almas, Jesus é o Bom Pastor e não mede esforços para resgatar toda humanidade.
Mesmo com a primeira resposta da mulher, Jesus continua insistindo e mostrando que se ela conhecesse o dom de Deus e quem a pede de beber, os papéis se inverteriam, ou seja, a mulher quem pediria água, pois aquilo que o Senhor tem para nós é uma água vida (Cf.4,10). Se nós, dentro da nossa experiência cotidiana, ouvíssemos os apelos de amor que o Senhor nos faz, sairíamos correndo em direção a Ele para saciar nossa sede de vida, nossa sede de felicidade, nossa sede de salvação. Contudo, muitas vezes ainda não entendemos quem nos pede de beber, e que na verdade é o único que pode saciar nossa sede.
Mesmo diante da insistência de Jesus, a mulher ainda não entende e continua acreditando que a água que Jesus quer é a do poço (Cf. Jo. 4,11). É então que Ele diz: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. (Jo. 4,13) Quantas vezes em nossa caminhada, bebemos de diversas águas que nunca matam a nossa sede? Quantas vezes buscamos naquilo que é passageiro uma satisfação perene? Até quando o Senhor vai nos pedir: Venha a mim, beber da água da vida?

É só neste momento que a mulher percebe que está diante de um profeta. E tem coragem de pedir da água que Jesus a oferece. Há uma questão entre judeus e samaritanos sobre o lugar do culto. Para os primeiros só se pode cultuar em Jerusalém, para os segundos só se pode adorar no monte Garizim. Jesus responde essa questão, apontando que chegaria a hora que a adoração seria feita em espírito e em verdade (Cf. Jo.4,23). Jesus é o novo templo (cf. Jo. 2, 19.21) e por isso, é preciso adorá-lo em espírito e em verdade. Não que Jesus queira abolir os ritos da religião, mas sim, apontar que este Deus que é espírito adentra em nossa vida de uma maneira tão única e especial que nos tornamos também templos de Deus.

Esta água que Jesus nos oferece pode ser lida de duas maneiras. A primeira o batismo, é por meio das águas do batismo que nos tornamos filhos de Deus, que nos liberta do pecado original. Começamos a nossa caminhada com Jesus ao sermos batizados, onde recebemos o Espírito Santo que nos conduz à verdadeira adoração. A outra maneira é a água que brota do lado aberto da Cruz. Está água que vem junto com o sangue de Jesus, é sinal de conversão para o soldado, mas é também, sinal de necessidade de mudança de vida para todos nós, filhos de Deus.

Deste modo, assim como se apresentou a Samaritana de maneira simples, humilde, com amor e misericórdia, Jesus se apresenta a nós todos os dias. Ele quer nos dar da água que mata a sede da nossa alma, Ele quer dá-se a si mesmo por amor e com amor para nós, seus filhos. Só quando atendermos a esse chamado, seremos verdadeiramente, livres. Foi essa a experiência que a Samaritana fez, a da verdadeira liberdade que só o encontro pessoal com Jesus nos proporciona. A experiência dela é tão forte, que muitos passaram a crer em Jesus por causa da palavra dela (Cf. Jo. 4,41). Precisamos dessa experiência libertadora, verdadeira e autêntica com Jesus. Se formos, verdadeiramente livres muitos ouvirão a voz de Deus que fala através de nós.
Marcus Vinícius França. Pré-Noviço. OFM.Conv

 



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