Lançado em: 25-03-2017

Reflexão do IV Domingo da Quaresma.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Estamos no quarto domingo da quaresma e nos aproximamos cada vez mais do mistério pascal. Hoje a liturgia nos convida a perceber a figura de Jesus, luz do mundo, que nos cura de toda cegueira. A luz do Cristo é a sua ressureição e este mistério, que estamos perto de celebrar, deve mover nossa caminhada quaresmal em direção ao Cristo.
A Primeira Leitura, que foi retirada, do início da última parte do primeiro livro de Samuel, conta o fim do reinado de Saùl e a ascensão de Davi ao trono de Israel. É interessante meditarmos como os planos de Deus são diferentes dos nossos. Samuel e Jessé acreditavam que o rei que o Senhor havia escolhido era o filho primogênito de Jessé, todavia, Deus não julga conforme as aparências (Cf. I Sm. 16,7). Ele não olha nossa pequenez, nossa limitação, mas sim nosso coração. A vocação de Davi é um claro sinal de que é Deus que nos chama e nos capacita. O chamado de Deus para nós nessa quaresma é que nos aproximemos da sua misericórdia, sem medo, sem receios. Ele não cansa de nos perdoar e tem uma missão para nós que é sermos portadores da mensagem da salvação.

Na Segunda Leitura, o Apóstolo Paulo, nos convida a assumirmos a nossa condição de filhos da luz. Somos luz do Senhor para a humanidade. O apóstolo nos recorda que: “outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef. 5,8). Antes da nossa conversão estávamos presos ao pecado, nossa vida estava sendo trilhada totalmente fora do plano de Deus, mas a Luz de Jesus brilhou sobre nós. Essa luz não pode ser apagada do nosso coração, é uma luz perene, que ilumina as trevas da existência humana e se torna um convite constante à mudança de vida. Por sermos iluminados por Cristo, não podemos deixar que essa luz, fique escondida. A nossa missão é iluminar aqueles que ainda andam na escuridão, é apontar a Jesus, verdadeira luz.
No Evangelho percebemos a figura de Jesus, luz do mundo, frente à cegueira física do homem e a cegueira espiritual dos fariseus. A primeira cegueira que Jesus encontra é a do homem, que Ele encontra ao passar. O toque de Jesus restitui a visão a ele, transforma a sua vida, faz com que ele enxergue, contudo, mais do que enxergar com os olhos humanos, o que Jesus faz é possibilitar que aquele homem possa ver com os olhos da fé. A experiência desse homem com Jesus é tão forte, que o Senhor ao saber que ele tinha sido expulso pelos mestres da lei, vai até ele e o questiona: “acreditas no Filho do Homem?” (Jo. 9,35) Restituído da visão física, mas, sobretudo, da visão espiritual ele quer descobrir quem é este que Jesus fala para crer, é então que Jesus diz: “tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. (Jo. 9,37) Sim meus irmãos! Aquele que nos devolveu a vista, que nos tirou das trevas, que fez sobre nós brilhar sua luz, Ele mesmo é o Messias, o Filho do Homem. Cabe a nós assim como aquele que fora curado da cegueira prostramos diante de Jesus, reconhecer o seu amor e o segui-lo.

A outra cegueira que Jesus encontra e mais difícil e preocupante do que a do cego de nascença é a mentalidade “retribucionista” (cf. Job 4, 7-8; 2 Mac 7, 18; Tob 3, 3) tão presente dentro da cultura de Israel. O homem cego era considerado um pecador, sua cegueira era sinal do castigo de Deus sobre ele. Entretanto, Jesus vem romper com essa mentalidade, Deus é misericórdia, Deus é amor, Deus é perdão. Ele não nos culpa como exigem nossas faltas, mas nos perdoa porque quer nos dar vida nova. As pessoas se questionam sobre a cura do cego porque acham impossível aquele que nasce no pecado, receber esse milagre. Mas, Jesus, nos mostra que a graça de Deus é um dom e que a pior cegueira é a gerada pela inveja.
Quantas vezes, na nossa caminhada cristã, nos comportamos como os fariseus? Quantas vezes, diante da ação da misericórdia de Deus na vida de nossos irmãos e irmãs, em vez de agradecer, apontamos o dedo e dizemos: ele é pecador, como pode receber esse milagre? Quantas vezes, pela nossa inveja, pela nossa ingratidão, pela nossa indiferença, permanecemos cegos diante do amor de Deus? Essa cegueira, muitas vezes, meus irmãos aparece em nossa vida como uma obstinação, não conseguimos ver a ação de Deus em nada, tudo parece escuridão em nossa vida, em nossa caminhada, Deus parece alguém distante e mesmo que ele realize um milagre em nossa frente, não enxergamos.
É preciso, assim como Jesus, romper com essa mentalidade da retribuição. Nosso Deus vem a nós na fragilidade da pessoa de Jesus e nos aponta um caminho, totalmente, contrário. Esta mentalidade, ainda presente em nossos dias, acaba nos fazendo desanimar da caminhada cristã. Quantas vezes nós paramos no caminho e deixamos de fazer a experiência da misericórdia porque nos julgamos pecadores demais? Por que achamos que Deus não pode nos perdoar? Deus é rico em misericórdia e não cansa de dispensar sobre nós o perdão, aproximemos Dele com fé.
Deste modo, somos convidados nessa quaresma a nos permitirmos ser encontrados pela luz da ressureição. É preciso deixar que o Cristo brilhe em nós, nos ilumine diante das escuridões do mundo. A quaresma é um tempo propício para que nos aproximemos de Deus com o coração aberto, sabendo que o amor que Ele tem por nós é maior do que o nosso pecado. Que possamos nunca nos permitir ficar na cegueira espiritual dos fariseus e para isso devemos cada vez mais, enxergamos a nós mesmos e aos outros com o olhar manso e humilde de Jesus.


Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventual

 

 



ÚLTIMOS LANÇAMENTOS

Lançado em: 29-04-2017

Homilia do Terceiro Domingo da Páscoa.


Lançado em: 21-04-2017

Homilia do Segundo Domingo da Páscoa.


Lançado em: 18-04-2017

Homilia do dia da Páscoa


Lançado em: 01-04-2017

Reflexão do V Domingo da Quaresma.


Lançado em: 19-03-2017

Reflexão do III Domingo da Quaresma.