Lançado em: 21-04-2017

Homilia do Segundo Domingo da Páscoa.

Amados irmãos e irmãs, Paz e bem! Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Ainda alegres pela ressureição de Jesus, hoje, chegamos ao segundo domingo da páscoa. Além disso, celebramos a Festa da Divina Misericórdia, instituída por São João Paulo II. Hoje a liturgia da palavra nos coloca como ponto central para a reflexão o encontro entre São Tomé e Jesus Ressuscitado, que simboliza a experiência de cada um de nós em certos momentos da nossa caminhada cristã.

Na Primeira Leitura, temos a primeira das três descrições sumárias dos Atos sobre a vivência da comunidade cristã inicial (As outras duas: Cf. At 4, 32-35; e 5, 12-16). O que há de confluente em todas estas descrições é o cuidado com os mais necessitados, a reunião para a fração do pão e os prodígios que os apóstolos realizavam (Cf. At. 2,42). O primeiro ponto que vamos destacar é a comunhão fraterna, os cristãos colocavam tudo em comum (Cf. At. 2,44). Esta partilha não é meramente material, para ter em comum os bens que possuíam era preciso antes de tudo, ter os corações na mesma direção. É o Cristo Ressuscitado o fundamento único e necessário para que tudo se torne de todos. O outro ponto é a fração do pão. Sem estarem unidos em oração, ou seja, sem reconhecer à contínua presença do Cristo no pão repartido, a caminhada da comunidade perde o sentido. Na fração do Pão, vemos aquilo que possibilita a divisão dos bens. Tudo que possuímos a partir do momento que encontramos o Cristo, ganha um sentido pleno e concreto na doação aos irmãos.

Na Segunda Leitura, o apóstolo Pedro, nos convida a percebermos a alegria que da fé recebemos, mesmo diante das provações deste mundo. A adesão ao projeto de Jesus gera em nós grande alegria. A fé é um dom do Pai das misericórdias, dom este que nos conduz a vivermos sempre buscando fazer da nossa vida um espelho dos ensinamentos de Jesus. A fé verdadeira é provada e se torna mais valiosa do que o ouro (Cf. 1Pd 1,7). Não podemos pensar que o discipulado de Jesus que aderimos nos livra das provações. A fé, no Cristo ressuscitado, não é uma mágica para utilizarmos na resolução dos nossos problemas. Sim! Seremos provados, passaremos por dificuldade, carregaremos a nossa cruz de cada dia, todavia, assim como na vida Daquele a quem seguimos, na nossa história seremos vencedores. A fé é um convite à esperança frente às tribulações, somos bem-aventurados por temos a nossa fé provada, isto é um sinal que ela tem dado frutos.

O Evangelho de hoje nos convida a meditarmos sobre o encontro de Jesus com Tomé. É interessante antes de tudo, percebermos que o ressuscitado aparece aos discípulos aos domingos. Hoje ele continua a vir visitar a nossa comunidade de fé reunida na páscoa semanal para derramar sobre nós a sua paz. A saudação de Jesus aos discípulos não é um mero cumprimento cultural. A paz do Cristo nos vem da sua morte e ressureição. O mistério da nossa fé nos garante a paz. Além disso, o Senhor mostra aos discípulos as mãos e o peito chagados. Isto aponta que aquele a quem eles veem não é um fantasma, não é outra pessoa, mas sim, Jesus de Nazaré, o Senhor crucificado e ressuscitado. Ver os sinais da Paixão enche os discípulos de alegria (Cf.Jo.20,20). Eles estavam com medo, sem esperança e o encontro com Jesus é o cumprimento da promessa de que não os abandonaria. Também na nossa vida é preciso ver o Senhor, ouvir a sua saudação de paz. Não estamos sendo enganados, não seguimos a uma mera ideia, mas, a Jesus Cristo, que continua a estar em nosso meio a nos direcionar.

No segundo momento, Jesus volta a aparecer aos discípulos e desta vez Tomé está presente. Da primeira vez que o Senhor apareceu, ele não estava e por isso, não acreditou (Cf.Jo. 20,25). Muitas vezes, podemos julgar Tomé por esta atitude. Ele caminhou com Jesus lado a lado como pode não ter acreditado? Mas, quantas vezes você que comunga o Corpo e o Sangue de Cristo na Eucaristia, também duvida da ação de Deus na sua vida? Assim como Tomé, nós também durante a nossa caminhada sobre a terra, deixamos, muitas vezes, que os sofrimentos, as dores, as dúvidas tomem o centro do nosso coração e por isso, não acreditamos, precisamos ver o extraordinário, precisamos tocar nas chagas. Todavia, se você quer tocar nas chagas de Jesus, veja-o nos mais pobres, nos sofredores, naqueles que padecem nos leitos dos hospitais, eles são as chagas de Jesus que ainda continuam abertas e que precisam ser tocadas.

Mas, perante a incredulidade de Tomé, nós recebemos uma bem-aventurança. Jesus disse a Tomé: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” (Jo. 20, 29). Esta bem-aventurança não se encaixa para os apóstolos, eles também viram o Senhor ressuscitado. Esta bem-aventurança é para mim, para você. Nós, à medida que, diante dos sofrimentos, das incertezas da caminhada, professamos a fé em Jesus, estamos sendo bem-aventurados. Por isso, eu digo para você, independente da situação que esteja vivendo acredite, professe a sua fé, diante as incertezas da vida, do medo. Jesus está vivo, Ele ressuscitou, pois nem a morte pode vencer o projeto de amor de
Deus para nós. Que Deus nos dê a graça de sempre diante da dúvida e dos medos professar a nossa fé para podermos dizer: “meu Senhor e meu Deus” (Jo.20,28). Este nosso Senhor e Deus continua a querer fazer parte da nossa vida, mas para isso, é preciso abrirmos o nosso coração e professarmos a nossa fé diante do mundo.

Marcus Vinícius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.



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