Lançado em: 29-04-2017

Homilia do Terceiro Domingo da Páscoa.

Amados irmãos e irmãs Paz e Bem! Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Continuamos com o coração cheio de alegria e esperança pela ressureição de Jesus. Chegamos hoje, ao terceiro domingo do tempo pascal e temos como ponto central da liturgia o encontro do Senhor Ressuscitado com os discípulos de Emaús. A páscoa deve ser vivenciada todos os dias em nossa vida, mas nos domingos, devemos de maneira mais concreta, mergulharmos no mistério da vida que vence a morte.

A Primeira Leitura esta contida nos Atos dos Apóstolos, e narra o discurso de São Pedro no dia de pentecostes. Pedro é aqui apresentado como chefe dos apóstolos, sendo responsável por discursar em nome da comunidade de fé. O primeiro ponto que vamos meditar desta passagem é a expressão messiânica que o apóstolo usa ao falar do Cristo. “Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis” (At. 2,22). Ao anunciar Jesus como Messias, Pedro o anuncia a partir da sua humanidade, da pequenez, da humildade. Não é o rei glorioso, mas sim, o simples homem de Nazaré, o Messias anunciado pelos profetas. Outro ponto importante é o trecho retomado do salmo 15: “Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção.” (At. 2, 27). Aqui ele ganha o seu sentido completo, é a morte e ressureição de Jesus que está prefigurada neste trecho do Antigo Testamento. Toda Escritura ganha seu sentido pleno na pessoa de Jesus.

Na Segunda Leitura, continuamos a meditar sobre a Carta de São Pedro. Nela percebemos o grande dom que foi a salvação que a cruz de Jesus nos trouxe. Primeiramente, o apóstolo nos recorda que somos peregrinos neste mundo (Cf. 1Pd. 1,17). Nossa pátria é o céu, estamos no mundo para fazer o bem, cumprir a vontade de Deus e amarmos os nossos semelhantes, entretanto, para nós já há um lugar reservado junto ao Pai. Também, vemos aqui que a cruz não é mais uma libertação, como a do povo de Israel do Egito. A cruz é obra de redenção, de salvação, por isso, Pedro, nos lembra de que o nosso resgate custou o Sangue de Jesus (Cf. 1Pd. 1,19) Em vista disso, Jesus é o cordeiro pascal, é a vítima que se oferece em oblação. A cruz é um ato de liberdade e amor. Só porque nos amou desde o princípio Jesus foi capaz de subir ao calvário para nos dar vida nova.

O Evangelho de hoje é sem dúvidas um dos trechos mais belos de toda Sagrada Escritura. Jesus vai ao encontro dos seus discípulos que desolados caminhavam em direção a Emaús. Jerusalém, cidade da luz, é nela que o filho do Homem é crucificado. A cruz de Jesus foi um mistério tão grande, a ponto de fazer com que aqueles que os seguiam se dispersassem. A dor de ver o Senhor morto, parece ter dissipado a fé dos discípulos. O caminho dos discípulos de Emaús é também o nosso caminho. Muitas vezes, o sofrimento nos faz esquecer tudo àquilo que vivemos com Jesus, e assim como os discípulos que começaram a se afastar da comunidade, a se afastar da cidade da luz e caminhar guiados pela tristeza, nós também, diante das dores e das dificuldades tendemos a nos afastar, a caminhar guiados pelas nossas próprias convicções e certezas. O caminho para Emaús é o exilio existencial que muitas vezes passamos, é o caminhar guiado pela tristeza, é quando tudo aquilo onde pomos nossa esperança parece ceder, ruir.

Esta experiência de caminhar guiado pela tristeza é tão forte na vida dos discípulos que eles não conseguem nem reconhecer a Jesus, que caminha com eles (Cf. Lc. 24,16). É interessante, notarmos quão misericordioso é o Senhor. Diante da dor, da falta de fé, da incompreensão de tudo aquilo que havia acontecido por parte dos discípulos, Jesus ainda vai ao encontro deles. Deus quer ir ao seu encontro, mesmo que você caminhe na direção contrária, mesmo que você não entenda o porquê de estar passando por essa situação, mesmo que você não o reconheça, Ele quer estar com você, é misericórdia, é graça, é dom de Deus. Caminhar junto, significa fazer comunhão. Jesus não abandona os que o segue, ainda que eles se afastem. Jesus não te abandona. O Deus que seguimos é doação plena, é amor e por isso, é capaz de diante da incredulidade e da dor dos seus, se manifestar misericordiosamente como um amigo, como alguém que caminha ao lado.

É interessante percebermos que Jesus ensina aos discípulos sobre tudo o que aconteceu. [...] começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. (Lc. 24, 27) Jesus explica que toda Escritura ganha sentido no mistério de sua morte e ressureição. Ir de Moisés aos profetas é contar toda história do povo de Israel. Jesus, não é um Deus distante da história do seu povo ele sabe que a Escritura fala dele e por isso usa da mesma, para mostrar que a cruz não é fim, mas o começo de uma nova história, de novos céus e nova terra. Também contigo, Jesus continua caminhando ao seu lado e a falar da sua história, falar do seu cotidiano, apontando, mostrando que em tudo Ele esteve presente, que quem crê nunca está sozinho.

E no ápice deste encontro de um Deus que caminha com os seus, vemos a Eucaristia como sinal de presença perene. “Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus.”(Lc. 24, 30-31). Jesus continua se mostrando, se revelando a nós na Eucaristia. É um milagre de amor, Ele prometeu permanecer conosco todos os dias e cumpre esta promessa diariamente nas espécies do pão e do vinho consagrados sobre os altares do mundo inteiro. Temos aqui uma relação inseparável. Quem reconhece a Jesus na Eucaristia, sente o coração arder pela palavra de Deus. Eucaristia e Sagrada Escritura são realidades inseparáveis. Se os olhos dos discípulos se abriram ao partir do pão, o coração ardeu pela explicação das Escrituras. Na nossa caminhada também a Eucaristia e as Sagradas Escrituras devem ser meios perenes para encontramos Jesus. Não tenha medo de diante da dor e do sofrimento dizer como os discípulos a Jesus: “Fica conosco” (Lc. 24, 29). Se você quer que Jesus permaneça em sua vida procure-o na Eucaristia e na leitura orante das Escrituras.

Deste modo, devemos, com fé, perceber que o Senhor assim como caminhou com seus discípulos nos momentos de maior dificuldade e dor, caminha também conosco. Podemos ir a Emaús sofrendo, mas a partir do momento que encontramos o Cristo Ressuscitado, voltamos a Jerusalém com alegria e anunciamos aos nossos: O Senhor ressuscitou, não colocamos nossa esperança em uma ilusão. Que Deus nos dê a graça de nos encontrarmos com Ele na Eucaristia que recebemos e na Palavra que meditamos, para assim, podermos voltar aos nossos lares e anunciar a grande notícia da salvação que nos foi dada por Jesus de Nazaré.

Marcus Vinícius. Pré-noviço. OFM. Conventuais

 



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