Lançado em: 06-05-2017

Homilia do 4º Domingo da Páscoa.

1ª Leitura - At 2,14a.36-41-Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus.
Salmo - Sl 22,1-3a.3b-4.5.6 (R.1)
2ª Leitura - 1Pd 2,20b-25 - Voltastes ao Pastor de vossas vidas.
Evangelho - Jo 10,1-10 - Eu sou a porta das ovelhas.

Amados irmãos e irmãs, Paz e Bem! Chegamos ao quarto domingo do tempo pascal. Tempo este que traz em si algo muito especial. Afinal, estamos meditando com toda alegria o mistério da ressureição de Jesus. Na Igreja primitiva, os domingos subsequentes à pascoa eram dedicados a catequeses mistagógicas, ou seja, era um tempo de aprofundamento no mistério central da fé. Jesus Cristo ressuscitou e sua vida, deu-nos vida em plenitude. Hoje a liturgia nos convida a ouvir este convite de Jesus, que é um convite de quem nos conhece no mais profundo do nosso ser.

A Primeira Leitura está ainda contida, no discurso de São Pedro no dia de Pentecostes. O apóstolo sem medo de retaliações afirma: “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. (At. 2,36). Jesus Cristo não é mais um que prometeu salvar Israel, ou não é mais um dos que se autodenominavam Filhos de Deus, Messias. Ele é o Senhor e o Cristo. É Senhor, porque é Deus, Ele sim é o Salvador esperado é dele que diziam os profetas, não há outro, muitos podem se denominar senhores, mas na verdade, não o são. Ele é o Cristo, porque é ungido pelo Pai. Jesus tem uma missão que é salvar, por isso, não mediu esforços e no ato máximo de liberdade deu a própria vida por amor a cada um de nós.

Esta mensagem de Pedro aflige os corações daqueles que o ouvem, aponto deles se questionarem do que devem fazer (Cf.At. 2,37). É então, que Pedro recomenda a conversão e o batismo e declara a universalidade da promessa trazida por Jesus. (Cf. At. 2, 38-39). Nós podemos nos perguntar: e nós que já fomos batizados? O que devemos fazer? É interessante, fazermos uma leitura da conversão e do batismo, você, que já é batizado, deve lembrar-se diariamente da experiência da conversão. O seu batismo é um renascimento para as coisas do alto, por isso, a missão do batizado é ter uma vida de conversão, buscando me converter, diariamente, não me afasto da graça recebida pelo batismo. A atualização diária da nossa missão como batizados, através da conversão é um luzeiro para aqueles que nos rodeiam, pois faz da mensagem de Jesus, não algo do passado, mas sim, atual.

Na Segunda Leitura, continuamos a refletir sobre a Carta de São Pedro. No trecho de hoje, o apóstolo, compara a situação de todos aqueles que são perseguidos e que sofrem com a imagem do Cristo, que sem culpa alguma vai à cruz por amor a nós. Também hoje, somos acometidos de inúmeros sofrimentos e provações, mas devemos ter a certeza de que, em meio a tudo isso, Jesus não nos abandona, Ele sofre conosco e ainda continua como na Cruz, se doando a nós por amor. A cruz de Jesus nos atrai a experiência mais pura do amor, da gratuidade. Se antes, caminhamos dispersos, vivendo cada um segundo sua convicção, a partir do momento em que fazemos experiência o amor que vem da cruz, nos tornamos um rebanho, de um só pastor, no rebanho de Jesus.
No Evangelho, Jesus conta uma parábola que está intimamente ligada ao contexto do pastoreio na palestina. Era comum que vários rebanhos pastassem juntos e fossem vigiados por alguém enquanto os pastores descansavam, mas pela manhã os pastores se aproximavam e ao chamar suas ovelhas, os reconheciam e os seguiam. É por isso que Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora”. (Jo. 10, 1-3)

Há uma íntima relação entre ovelha e pastor e a mesma se funda na escuta. A ovelha não segue outra voz a não ser a do seu pastor, mesmo que outros gritem, ela reconhece a voz do seu pastor. Vivemos em um tempo em que muitos gritam, muitos berram, muitos querem dominar, todavia se somos, verdadeiramente, discípulos de Jesus, devemos ser como essas ovelhas, escutando-o em cada ação do nosso cotidiano, dando ouvido àquilo que Ele veio nos ensinar. Mas, como escutar o Senhor? Como saber qual é a voz de Jesus? Só sabemos qual voz é a de Jesus, primeiramente, fazendo uma experiência verdadeira com o Senhor. É na minha relação pessoal com Deus, que sou amado de uma maneira única a ponto de reconhecer nisso, um chamado único de amor e misericórdia. Podemos saber também se estamos escutando, verdadeiramente, o Senhor quando nossas atitudes se equivalem ao Evangelho. Se estou: amando, perdoando, acolhendo, cuidando dos necessitados a voz que escuto é a de Jesus, mas se estou promovendo a discórdia, a fofoca, a divisão estou escutando outra voz.

Aqueles que escutavam Jesus não entenderam o sentido da parábola, então o Senhor continua, afirmando que é a porta das ovelhas e que todos aqueles que vieram antes deles são ladrões e que as ovelhas não os escutaram. (Cf. Jo. 10. 7-8). Diante disto, cabe a cada um de nós um questionamento: A quem estamos escutando? Quem é que fala ao nosso coração? Jesus diz mais: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem”. (Jo. 10,9) Por onde estamos adentrando? Estamos entrando em portas que nos dão salvação?

Continuamos como ovelhas desgarradas, que buscam em outros lugares adentrar?
Que neste tempo pascal, o Senhor nos dê a graça de realmente, entendermos que só há uma porta pela qual podemos adentrar para receber a vida: que é o coração traspassado de Jesus. Mesmo que outras portas pareçam se abrir, lembre-se sempre da voz do Bom Pastor, que te chama à misericórdia, ao perdão. Escutando-o adentramos na sua intimidade e podemos fazer a experiência autêntica do cristianismo que é o amor.

Marcus Vinicius França. Pre-Noviço. OFM. Conventuais



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