Lançado em: 08-07-2017

Homilia do XIV Domingo do Tempo Comum Jesus, por sua infinita misericórdia, aponta-nos os caminhos da felicidade.

Amados irmãos e irmãs, o Senhor nos conceda a Paz e o Bem!

A liturgia de hoje nos despertará para um olhar mais atento. Aquele olhar que transcende obstáculos, fraquezas e tristezas. As leituras desse domingo nos ajudará a vermos em tudo isso um sinal da misericórdia e da presença de Deus em nossas vidas. Se nos colocamos no seguimento do Senhor devemos preparar o nosso coração para a prova (Cf. Eclo 2, 1), mas de que vale o sofrimento? Por si só, irmãos, nada além da dor. Mas, nós somos a Igreja da cruz e Cristo, com sua morte, venceu toda dor e com sua ressurreição mostrou-nos ser possível ter esse olhar diferente. Não é que não haverá mais sofrimento, pelo contrário, o Mestre disse-nos: “Tome sua cruz cada dia e siga-me” (Cf. Lc 9, 23). Porém, cada dor será ressignificada e nos levará para mais próximos de Deus.

Vejamos. Na primeira leitura, o povo de Israel parece não ter encontrado sua paz. Contudo, Zacarias anuncia-lhes um rei justo e vitorioso, porém humilde. Este virá sentado num jumentinho. Propositalmente, a Igreja coloca esta leitura aludindo ao Evangelho de hoje que revela o coração de Jesus manso e humilde. A paciência durante as tribulações diárias, a base rochosa do qual construímos nossa casa, a instabilidade mediante as ondas impetuosas da vida, passa pela segurança que tem o nosso coração em Deus. Apesar de toda a tristeza daquele povo à espera do Messias, Zacarias ousa pedindo-lhe alegria, paciência e esperança, mesmo quando ‘nada vai para frente’, ou quando ‘tudo parece não dar certo’, o nosso coração deve ancorar-se no coração de Deus. Nossa agitação e orgulho na mansidão e na humildade do coração do nosso Deus. Isto é fé, isto é alegria na tristeza.

Caríssimos, nada disso nos seria possível se não acreditássemos na promessa de Cristo a nós: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20). Cristo conosco, Cristo em nós, não haverá motivos para perdermos a esperança! É a gratidão por essa presença de Jesus no cotidiano de nossas vidas, é o coração grato, que nos permite o olhar novo. Olhar que não julga, que não condena os outros, nem a si mesmo. O pior olhar de condenação, ou de não perdão, é quando nos olhamos sem misericórdia, assim não haverá dor que o coração humano possa suportar. Contudo, se a gratidão mora em nós e nos estimula ao olhar novo (que é o olhar de Cristo para a sua criação), louvaremos, para sempre, o nome do nosso Senhor e Rei tal como fez o salmista. Bendito seja o nome do nosso Deus, Ele que é misericórdia, amor e paciência, pois, sua ternura abraça toda criatura!

Desejando viver na Luz, procedamos como filhos da Luz (Cf. 1Tl 5, 5)! É por isso que São Paulo aos Romanos exorta-nos a não procedermos segundo a carne. O que refere o apóstolo não é, apenas, a nossa condição humana; mas esta ferida pelo pecado original que nos faz praticar o mal que não queremos em vista do bem que tanto desejamos (Cf. Rm 9, 19). Para que isto não ocorra, devemos sempre pedir o auxílio do Espírito Santo, que vem em socorro à nossa fraqueza (Cf. Rm 8, 26). É o sopro do Divino Espírito que nos faz continuar, prosseguir. Graça que Deus concede aqueles que pedem com o fervor do coração sincero.
Seguir Jesus confiando nos passos Dele torna suave o caminhar. Jesus não tira o fardo, mas promete suavidade. Não diz que não haverá mais jugo, mas nos garante leveza. Seguir o Messias é bem mais leve quando, mesmo cansados e fatigados pelo caminho, vamos a Ele. Refrigério e descanso para quem se cansou no seguimento; esperança para quem perdeu Jesus de seu horizonte; certeza de ressurreição para quem parou na cruz, para quem acreditou mais na dor do que na alegria. Amados irmãos e irmãs, não podemos parar nas tristezas da vida! Cristo revela isso aos simples. Aqueles que têm o coração pequeno para uma verdade tão grande. O processo da verdadeira humildade é reconhecer-se quem se é diante de Deus e nada mais! É com leveza, suavidade, humildade e pequenez que se descobre Cristo como a felicidade de nossas vidas!

Por fim, peçamos a Deus Pai, infinito em amor e misericórdia, que nos conceda a graça de continuar a segui-lo, mesmo quando tudo for difícil, mesmo quando tudo parecer ‘andar para trás’. Que seja Jesus presente na Eucarística sustento e remédio para que o nosso coração seja grato e, com isso, possamos ter o mesmo olhar e agir de Jesus. Que o Evangelho de hoje nos anime na caminhada e nos faça perseverantes até o fim!

Um santo e abençoado domingo!

Bruno Carvalho. Pré-noviço OFM. Conv.

 



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