Lançado em: 06-08-2017

Homilia da Festa da Transfiguração do Senhor.

Hoje a Igreja celebra a Festa da Transfiguração do Senhor e nós, povo de Deus, somos convidados a meditar sobre este acontecimento que nos recorda a divindade de Jesus. Estamos dentro do Tempo Comum, em que, somos convidados a fazer a experiência do discipulado de Jesus, da escuta de sua palavra. Dentro deste tempo, algumas festas e solenidades são celebradas, como a de hoje, para que possamos ter em mente que o nosso discipulado não é um seguimento qualquer, mas sim um encontro com a pessoa de Jesus, Deus encarnado, Senhor da História.

A Primeira Leitura foi retirada do livro de Daniel (Dn 7,9-10.13-14). Neste capítulo o profeta narra um sonho, em que aparecem quatro feras, (Cf. Dn. 7,1-7) que na literatura bíblica simbolizam os quatro povos que subordinaram o povo de Israel e tentaram destruí-lo. Há no livro de Daniel uma caraterística escatológica, e neste trecho é possível perceber esta característica pela presença do Ancião que diante, do tribunal instaurado, abre os livros para julgar (Cf. Dn. 7,9-10). Este Ancião é o próprio Deus que se assenta no seu trono e que tem os livros da vida, da história do povo em suas mãos para julgar. É então que, Daniel nos narra outra parte do seu sonho, em que aparece o Filho do Homem, que recebe poder honra e glória, além da adoração de todas as nações (Cf. Dn. 7, 14).

Este Filho do Homem é Jesus Cristo, o filho de Maria. O próprio Jesus se chama de Filho do Homem. É a Ele que o Pai dá todo poder, honra e glória, é para Ele que nossa existência caminha, é por ele que fomos salvos da antiga culpa. Esta palavra do profeta se cumpre na pessoa de Jesus, o Reino do Senhor é indissolúvel, mesmo que passe por perseguições e dificuldades. Jesus é o Filho do homem e sua soberania, seu reino se estende por toda terra. Nas palavras do profeta, podemos perceber a necessidade de nos firmarmos cada vez mais na fé em Jesus. Somos parte desse reino, fomos chamados, não por mérito, mas por graça, para fazer parte do projeto redentor do Pai e, por isso, não devemos desistir e nem desanimar.

A Segunda Leitura foi retirada da Segunda Carta de São Pedro (2Pd 1,16-19). Esta carta tem como característica a exortação, para a necessidade da perseverança na fé perante as dificuldades, ademais, o autor sagrado exorta contra os falsos profetas e o perigo da disseminação de seus ensinamentos dentro da comunidade. O início do trecho que a liturgia nos oferece para reflexão hoje é muito forte: “não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade”. (2Pd. 1,16).
Jesus Cristo não é uma personagem da história como outros homens, ele não é fruto da imaginação, não estamos seguindo a um mito, a uma estória. A fé em Jesus não é fruto de um devaneio, ou do medo da morte, mas sim, de um encontro. É com os olhos da fé que o vemos e o testemunhamos. É no arder do coração ao ouvir as Escrituras, na experiência concreta com a Eucaristia, no serviço aos irmãos mais necessitados que o testemunhamos, que nos firmamos em sua pessoa redentora. Não o seguimos por causa de milagres, não o buscamos porque Ele pode resolver os nossos problemas, não estamos no seu discipulado para nos sentirmos melhores, mas sim, porque fomos criados para Ele e nosso coração não encontra a verdadeira paz e felicidade em outra pessoa. Diante de um mundo que proclama e que confessa muitos “salvadores”: o dinheiro, a fama, o poder, o prazer, o ter, a cultura do descarte, devemos, mais uma vez, tomar consciência de que somos nós suas testemunhas e que Ele é o verdadeiro Messias, o Filho amado do Pai.

O Evangelho foi retirado do texto de São Mateus (Mt 17,1-9) e nos apresenta a transfiguração do Senhor. Jesus leva três dos seus discípulos para o alto da montanha e diante deles se transfigura. Primeiramente, é interessante percebermos que o monte, a montanha é lugar do encontro com Deus na Sagrada Escritura. A transfiguração é uma antecipação da ressureição, nela Jesus mostra a seus discípulos, que estavam desanimados com as últimas palavras dele (cf. Mt 16,21ss) que é preciso ter fé diante das adversidades do caminho. O rosto de Jesus brilha como o Sol, aqui dentro da exegese do Evangelho de Mateus, vemos Jesus como o novo Moisés, o qual o rosto também brilhou sobre a montanha (cf. Ex 34,29-35). Moisés era aquele que conversava com Deus face a face, que era o intermediário da primeira aliança, Jesus, novo Moisés, é o verdadeiro e único mediador entre Deus e os homens, Ele é a aliança inacabável que nos deu a vida por seu sangue.

Durante a transfiguração aparecem Moisés e Elias, que simbolizam na literatura bíblica a lei e os profetas, ou seja, a tradição do Antigo Testamento. É em Jesus que toda palavra da lei e dos profetas se cumpre, nele culmina todo Antigo Testamento. Agora quem fala pelo Pai não é mais o patriarca Moisés, ou o profeta Elias, mas sim, o próprio Filho de Deus, toda autoridade foi dada ao Cristo, Filho de Deus. Diante da glória de Jesus manifesta de maneira tão sublime, Pedro quer construir ali três tendas, mas, a missão de Jesus não está ali, é preciso descer do monte para enfrentar a cruz, o sinal da transfiguração não é maior do que o do calvário. A maior glória, a maior manifestação do Filho do Homem é o madeiro, é a prova de amor por nós.
Por fim, gostaria de meditar sobre a voz que vem da nuvem: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!”. (Mt. 17,5). Este trecho tão curto condessa tudo o que estamos refletindo. Na humilde pessoa de Jesus é que Deus põe o seu amor por nós, é olhando para Jesus que podemos ter a certeza de que somos amados. Jesus é o Deus feito homem por amor a nós e diante de tão grande amor é preciso escutá-lo, mas tal escuta não é feita só no ouvir, mas reside também na ação. É no agir diário dentro das nossas casas, de nossos trabalhos que mostramos que o escutamos, o amamos e que o seguimos. Que Deus nos dê a graça de olhando, a transfiguração, nos firmarmos cada vez mais na fé em Jesus, caminho verdade e vida.

Marcus Vinicius França. Pre-Noviço. OFM. Convetuais



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