Lançado em: 17-09-2017

XXIV Domingo do Tempo Comum.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Chegamos ao vigésimo quarto domingo do Tempo Comum, somos convidados neste domingo a renovar nossa esperança na pessoa do Cristo, caminho, verdade e vida. É um tempo oportuno para nos voltarmos a Deus com o coração ardoroso por sua palavra e vivermos mais intensamente este discipulado. O tema central da liturgia de hoje é o perdão, que deve ser um dos modos de ação do cristão no mundo.

A Primeira Leitura (Eclo 27,33-28,9) nos aponta a condenação da ira e da vingança dentro da comunidade de Israel. O autor sagrado nos recorda: “Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão
perdoados. Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados?”
(Eclo. 27, 2-5).

Esta palavra nos aponta a dimensão dual da oração. Quando nos aproximamos de Deus, reconhecemos nossos pecados, devemos sempre pedir perdão, reconhecer que somos pecadores e confiar na misericórdia de Deus, entretanto, esta experiência com a misericórdia não deve parar em nós. Se peço perdão, devo ter, antes de qualquer coisa, ter a consciência de que devo perdoar.
O lugar privilegiado em que esta palavra deve se cumprir é o nosso lar. Muitas vezes, em nossas famílias, o rancor ganha espaço e o perdão é esquecido. Em diversas situações, às vezes, sem intenção, acabamos ferindo uns ao outros, uma vez que
dizemos palavras que não deveríamos, agimos como não deveríamos e criamos
situações desagradáveis no seio familiar. E nessas horas prontamente dizemos: Deus me perdoe por essa atitude! Mas, não temos a coragem de ir ao outro e dizer: perdoe-me!

Eu não quis agir desse jeito, eu não quis falar dessa maneira.
Você, esposo, não deve ter medo de pedir perdão a sua esposa por todas as vezes que você não agiu segundo o coração de Deus, pelas suas grosserias, pela sua ausência, pelas vezes que foi negligente. Você, esposa, não deve ter medo de pedir perdão a seu esposo pelas vezes que não foi paciente, que foi grosseira, que não o ouviu, que não o auxiliou, que foi negligente. O matrimônio cristão é lugar de perdão, é lugar de misericórdia e amor. Não permitam que o Sol se ponha sobre o vosso ressentimento.

Como seria bom se cada esposo e esposa ao fim do dia em sua oração comum pedissem perdão a Deus e um ao outro por todas as ofensas e falhas cometidas Mais difícil ainda do que vermos o perdão entre os cônjuges é que o observamos
entre pais e filhos. Você pai, você mãe receberam de Deus uma grande missão que é gerar, dar a vida e cuidar dos vossos filhos, entretanto, erramos, falhamos na nossa missão. Quantas vezes você pai, ao corrigir seu filho, exagerou? Quantas vezes quis
intimidar seu filho, a ponto de mudar de comportamento para que ele sentisse? Quantas vezes foram indiferentes ao sofrimento do seu filho? Ser pai não te dá o direito de agir como você entende não te coloca acima do bem e do mal. Pai erra sim, mãe erra sim,
vocês são humanos, falhos e tem limitações, mas precisam aprender a pedir perdão.

Qual foi a última vez que pediu perdão para os vossos filhos? Quantos de nós somosmembros de pastorais e movimentos, pessoas de comunhão dominical e temos plena consciência de que ferimos nossos filhos, mas não temos coragem de pedir perdão? Que
fé é essa que nos leva a servir a tantas pessoas, perdoar, pedir perdão a todos os da rua, mas que não nos leva a olhar para nossos filhos e dizermos: perdoe-me! Eu errei, eu falhei, mas quero ser melhor.

A Segunda Leitura (Rm 14,7-9) nos recorda a pertença de todos, vivos e mortos, a Cristo. Pertença esta que está fundamentada na Cruz, posto que a morte do Senhor é para nós motivo de salvação. Ele morreu para nos resgatar das nossas culpas, por isso,
não devemos nos envergonhar da cruz, muito menos de nos aproximarmos dele com o coração contrito e húmil para alcançarmos misericórdia. Com este mesmo coração, devemos perdoar aqueles que nos ofendem, que nos caluniam, pois estamos unidos a
Cristo.

O Evangelho (Mt 18,21-35) é um dos trechos mais conhecidos das Sagradas Escrituras. Nele Pedro interpela a Jesus sobre quantas vezes devemos perdoar os nossos semelhantes. A resposta de Jesus é um perene ensinamento. Ele afirma a Pedro quanto à quantidade das vezes que devemos perdoar: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18,22). Aqui está na literatura bíblica um simbolismo, uma vez que o que Jesus quer dizer com esta afirmação é que o perdão não tem uma quantidade, ele é uma atitude diária, concreta, que se dá na vida do homem de fé. Não perdoamos por mérito nosso, mas sim, porque somos perdoados no amor de Deus. Quem experiencia, verdadeiramente, este amor, este perdão, esta misericórdia não
guarda para si, tem que dar aos outros, porque é algo maior do que o coração humano. Devemos tomar a partir das reflexões da liturgia de hoje uma atitude diferente, dual e cristã, que é pedir perdão não só a Deus, como também, a todos que temos ofendido,
especialmente, na família, como também, perdoamos. Nosso esforço deve ser sempre para não guardarmos mágoas de nossos familiares, mesmo que ele não peça perdão, você como filho de Deus deve perdoar, claro que isso não é fácil, leva certo tempo, mas
é necessário. Dê o perdão, retire do seu coração essa angústia, esse ressentimento que te apreende, que te paralisa e te faz mal. Que Deus nos dê a graça de transformarmos nossas famílias em santuários da misericórdia, que a nossa oração nos leve a pedir
perdão e a perdoar.

Marcus Vinícius. Pré-noviço. OFM. Conventuais.



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