Lançado em: 22-10-2017

Homilia do 29º Domingo do Tempo Comum.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Amados irmãos e irmãs, mais uma vez, nos reunimos diante do altar de Deus e da sua palavra que salva, para louvarmos Aquele que nos criou e nos chama a santidade. Estamos no vigésimo nono domingo do Tempo Comum e a liturgia da palavra de hoje nos apresenta Jesus que é posto à prova pelos fariseus, sendo questionado se é lícito ou não pagar o imposto ao Imperador.

A Primeira Leitura (Is 45,1.4-6) foi retirada daquilo que a exegese costumou designar de Segundo Isaías. Aqui é apresentada a figura de Ciro da Pérsia, que era um rei pagão, mas que findou com o reino da Babilônia, no ano de 539 a.C, que escravizava o povo de Deus, além de permitir que estes voltassem para sua terra, para assim, poder prestar seu culto. Por isso, que o texto sagrado o apresenta como ungido de Deus, uma vez que é o Senhor que o unge para derrotar os inimigos de Israel e permitir que o povo possa prestar seu culto a Deus.

Deus não mede esforços para permitir que o seu povo possa adorá-lo, possa ser liberto da escravidão. Podemos, a partir de uma leitura alegórica da Escritura entender que o cativeiro, a escravidão do povo na Babilônia, simboliza o nosso cativeiro espiritual. Nós, muitas vezes, estamos também subjugados, escravizados pelo pecado, nos perdemos do caminho de Deus, estamos procurando a felicidade em todos os lugares, sofremos por não sermos criados para tal modo de vida, haja vista que o Senhor nos criou para a liberdade. Entretanto, assim como o Senhor não mediu esforços para tirar Israel da escravidão, também não deixa de medir esforços para nos libertar da nossa própria escravidão espiritual. Amados irmãos e irmãs não tenham medo de se aproximar da misericórdia de Deus, da sua bondade, da sua ternura, da sua mansidão. Ele nos ama, não nos deixa escravos, pois quer nos dá a liberdade de filhos de Deus.

A Segunda Leitura (1Ts 1,1-5b) é um dos textos mais recentes do Novo Testamento, sendo escrito por volta do ano 51 d.C. O apóstolo Paulo escreve a uma comunidade, relativamente nova e que dava frutos e persevera na fé na ressureição de Jesus. Paulo dá graças a Deus pela perseverança dos tessalonicenses, a sua fé viva testemunhada pela caridade. (Cf. 1Ts. 1,2). Nós devemos aprender com Paulo, agradecer a Deus pelo crescimento de nossos irmãos e irmãs na fé. É preciso ter gratidão, Deus escuta a nossa oração, cuida daqueles que amamos e nos apresenta a possibilidade de vermos o crescimento humano e espiritual daqueles por quem rezamos.

O Evangelho (Mt 22,15-21) continua a nos apresentar as controvérsias entre Jesus e os fariseus. Neste contexto Jesus estava sendo, cada vez mais, conhecido dentro de Jerusalém e o povo o seguia em grande quantidade o que gerou dentro das autoridades religiosas da época, medo e inveja, uma vez que, para eles, Jesus representava um perigo, uma afronta e alguém que desestabilizava a estrutura de poder que os fariseus e
Mestres da Lei implantaram através da religião.
Jesus desestabiliza esta religião que exclui, condena, segrega e que usa da lei não para apresentar um caminho de felicidade, mas sim, para impor sobre os pequenos, pesos impossíveis de ser carregados. Mateus, em sua cristologia, apresenta Jesus como verdadeiro cumpridor da Lei Mosaica, posto que é Ele que cumpre a justiça do Reino, além do que, nos apresenta o verdadeiro rosto de Deus, que ama os seus filhos.

Os fariseus questionam a Jesus se é lícito pagar os impostos a Cesar. A pergunta tem um cunho político, já que se Jesus dissesse que era lícito, Ele seria colocado contra o povo pelos fariseus. Como alguém que diz ser o Filho de Deus, pode apoiar quem oprime o povo? Se Jesus dissesse que não era lícito, seria colocado diante das autoridades romanas como um ativista, um agitador.

Quanta maldade há no coração destes homens da religião, quanto medo de perder o poder, de perder a estima das pessoas, de perder o poder de julgar os outros, de lucrar a custa dos sofrimentos dos mais simples. Nós, quantas vezes, nos comportamos desta mesma maneira nos tornando servidores da mesma religião dos fariseus que coloca o outro à prova, que permite que a maldade, que a busca pelo poder seja maior do que o amor? Qual religião nossas famílias têm seguido: a de Jesus, ou a dos fariseus?

Para responder a questão lançada pelos fariseus Jesus pede um exemplar da moeda do imposto, que no caso era o denário, onde estava à efígie do imperador. A resposta de Jesus rompe a questão política presente na pergunta dos fariseus e eleva a questão a outro patamar. Ele responde: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Mt 22, 21). Essa afirmação nos aponta que há aquilo que é certo dar a César, mas também, há aquilo que é maior, que é mais importante e que deve ser dado a Deus.

Sendo cristãos, estamos dentro da sociedade civil e temos como todo e qualquer cidadão nossas obrigações, temos que pagar os impostos, cumprir as leis, dar bom exemplo, respeitar aqueles que são diferentes de nós, mas, sobretudo, devemos saber que há aquilo que pertence só a Deus. Nossa vida, nosso coração, nosso matrimônio, nossos filhos, nossa família isso é de Deus, isto está acima daquilo que pertence a César, isto deve ser dado ao Pai, pois recebemos dele. É nosso dever dar a Deus estas coisas, precisamos nos esforçar a cada dia para entendermos o sentido de nossa existência, da nossa missão sobre a terra e dar a Deus aquilo que lhe convém.

Marcus Vinícius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.



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