Lançado em: 26-11-2017

Homilia da Solenidade de Cristo Rei.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem!

Amados irmãos e irmãs após termos refletido nos últimos domingos do Tempo Comum sobre a segunda vinda de Jesus, hoje, somos convidados pela Santa Igreja a encerramos, mais um ano litúrgico com a celebração da Solenidade de Cristo Rei do Universo. No próximo domingo já iniciaremos um novo ano litúrgico celebrando o advento do Senhor. Hoje a liturgia da palavra nos leva a refletir sobre o senhorio de Jesus, sua majestade, seu poder salvador e seu amor por nós homens.

A Primeira Leitura (Ez 34,11-12.15-17) está inserida dentro do livro do profeta Ezequiel, na secção onde ele profere sentenças e palavras favoráveis e animadoras para todo povo de Israel que vivia a experiência da queda de Jerusalém. Nesta leitura a figura do pastor simboliza o próprio Deus e as ovelhas simbolizam o povo de Israel. É Deus que vai ao encontro do seu povo que estava sem território, passando por diversos sofrimentos e tribulações por conta de seus pecados. O Senhor não abandona os seus, é fiel, é como o pastor que conhece suas ovelhas, que as ama, cuida e dá a vida por cada uma delas. Dentro da literatura bíblica do Antigo Testamento o rei também é chamado de pastor, uma vez que o mesmo deve governar o povo com o cuidado, o carinho que um pastor tem pelo seu rebanho.
Jesus Cristo é o verdadeiro rei e verdadeiro pastor. Nós somos suas ovelhas, muitas vezes, rebeldes, teimosas, surdas, difíceis, autossuficientes, murmurantes, inconsequentes. Entretanto, nada do que dizermos pode ser maior do que o amor e a misericórdia que este Deus tem por nós. Ele, o único e verdadeiro pastor, nos conhece pelo nome, sabe de nossos sofrimentos, das marcas que trazemos em nossa história, dos nossos medos, frustações, dificuldades, dores e alegrias. Não é a um Deus estranho que seguimos, mas sim, a um Deus próximo, misericordioso, cuidadoso, como um bom pastor.

A Segunda Leitura (1Cor 15,20-26.28) nos aponta a certeza da fé que o apóstolo Paulo quer dar a comunidade de Corinto: “Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte, e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos”.( 1Cor 15, 20-21). Jesus Cristo por sua morte deu-nos vida, e salvação. É importante entendermos que as “primícias” dentro da tradição do Antigo Testamento eram os primeiros frutos da colheita e deveriam ser oferecidos a Deus antes de se tornarem alimento para a comunidade (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). Jesus, Filho de Deus, é aquele que nos precede na ressureição, se oferece ao Pai por nós, nos dá a salvação que havíamos perdido pelo pecado.
Além disso, no trecho acima referido da epístola Paulina, percebemos a comparação entre Cristo e Adão. Cristo é apresentado como o homem que traz a ressureição para os que morreram, enquanto Adão é aquele que faz a morte entrar no mundo. Jesus é o modelo do homem redimido, da nova e eterna aliança, que deve ser sinal de vida nas realidades de morte, de sofrimento e dor. Adão simboliza o homem decaído, preso ao pecado, que vive a autossuficiência esquecendo-se de Deus. Pela fé em Jesus Cristo, Rei do Universo, não devemos temer a morte, nem nos desesperarmos quanto a nossa salvação. O nosso dever é viver como filhos desta aliança selada pelo Sangue de Jesus, dando testemunho concreto da salvação que recebemos por meio de nossas obras.
No Evangelho (Mt 25,31-46) nos é apresentado o juízo final, em que Jesus, é apresentado como o Rei e ao mesmo tempo pastor que julgará a humanidade. Desde sua anunciação e encarnação o Filho de Deus é apresentado à humanidade como Rei, mas não como nós esperamos, ou entendemos. Jesus Cristo é Rei, contudo, não como os reis deste mundo. Seu reinado é o da misericórdia, do amor, do serviço, da doação de si mesmo em favor de todos. É um rei que veio para os pobres em espírito, para os pecadores, para os excluídos, para trazer esperança a humanidade decaída. É um rei que não se vestiu com roupas de ouro, utilizou o seu cetro, mas sim, amou aqueles que nunca tinham sido amados e por esses morreu.

O Evangelho de hoje nos apresenta a beleza desse reinado de Jesus. Ele virá para julgar a todos nós, mas percebamos que o juízo proferido por Ele passa pela caridade, pelo amor e pela imitação dos seus gestos. Ele nos diz “‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’”. (Mt 25, 34-36).
Com efeito, o Rei do Universo nos pede que o sirvamos nas pessoas, naqueles que não tem valor algum para a sociedade, nos pede a doação do nosso tempo, do nosso coração aos mais pobres. Jesus não quer que sejamos grandes, que façamos coisas extraordinárias, somos benditos, ou seja, bem-aventurados se nos doarmos, se amarmos nossos semelhantes assim como Ele fez. O reinado de Jesus é experiência concreta, encarnada e autêntica do amor de Deus por nós.
Uma pergunta que pode surgir em nosso coração é o porquê em um mundo tão secularizado, a Igreja ainda celebra Jesus Cristo como Rei do Universo? A resposta a isso é simples e singela. Mesmo que os homens se esqueçam de Jesus, Ele continuará sendo Rei, mesmo que nós que o proclamamos com a boca como Senhor e salvador, mas com nossas atitudes o apagamos da nossa vida nos esquecermos dele, Ele será Rei. É meu e seu dever recordar ao mundo quem é o Senhor do Universo, mas isto não passa pela imposição da nossa fé, mas sim, pelo cumprimento do Evangelho de hoje. Se quisermos que, cada vez mais, Jesus seja Rei é preciso saciar a fome dos famintos, visitar os presos, auxiliar os que passam necessidade, não como filantropia, mas sim com fé concreta. O reinado de Jesus se estenderá por todo mundo quando nós nos tornamos já aqui na terra benditos do Pai, ou seja, quando nos comprometermos com o outro em suas realidades de maior sofrimento, assim como fez Jesus de Nazaré.

,Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais



ÚLTIMOS LANÇAMENTOS

Lançado em: 10-12-2017


Lançado em: 02-12-2017

Homilia do 1º Domingo do Advento.


Lançado em: 19-11-2017


Lançado em: 11-11-2017


Lançado em: 04-11-2017

Leitura Dominical