Lançado em: 02-12-2017

Homilia do 1º Domingo do Advento.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem!

Amados irmãos e irmãs iniciamos mais um ano litúrgico da Igreja com a celebração do primeiro domingo do Advento. Somo convidados, durante este tempo litúrgico, a nos preparar para o Senhor que vem. Tal preparação passa pela misericórdia, pela conversão do nosso coração, pelo perdão e pelas obras de caridade. O Advento possui quatro domingos, sendo que, nos dois primeiros, a reflexão central é a segunda vinda de Jesus e os dois últimos refletem, mais propriamente, sobre a encarnação do Verbo de Deus.

A Primeira Leitura (Is 63,16b-17.19b;64,2b-7) está contida naquilo que a exegese chama de Terceiro Isaías (Is 56 – 66) e tem como reflexão central o pedido do profeta pela misericórdia de Deus frente a realidade vivida pelo povo de Deus. Israel vivia escravo na Babilônia, sofreu pela ausência de sua terra, do seu templo, viu sua gente ser conduzida a uma terra estranha, suas famílias dizimadas e experimentou da infelicidade plena. Diante desta realidade, o povo percebeu que o que gerou isto foi o afastamento de Deus, o pecado, a autossuficiência. Toda vez que acharmos que podemos viver longe de Deus, do seu amor, do seu cuidado, de sua misericórdia seremos escravos; escravos de nós mesmos, do mundo, do prazer, do dinheiro e das coisas. Faremos experiência da infelicidade plena, pois o homem sem Deus não é nada, torna-se vazio, sua existência perde todo o sentido.

Esta leitura nos apresenta dois atributos de Deus que devem nortear a nossa experiência de fé. Assim nos diz Isaías: “Senhor, tu és nosso Pai, nosso redentor;”. (Is 63-16). Desde o Antigo Testamento, podemos perceber a figura de Deus como Pai, isto é algo que deve nos alegrar muito, pois não servimos a um Deus mal, estranho, que nos aprisiona, mas sim, a um Deus que é Pai. E, por isso, não sabe fazer outra coisa que não nos amar, estar ao nosso lado, educar-nos quando precisamos e nos dá a vida.
Deus também é nosso Redentor, nosso Salvador. Dentro da tradição do Antigo Testamento, redentor era aquele parente mais próximo que tinha o papel de proteger, de defender os seus e os libertar de todo tipo de amarra. Este é o nosso Deus! Próximo, amigo, íntimo. É Deus que nos defende diante das dores e sofrimentos presentes em nossa vida, é Ele o auxílio que precisamos para não nos deixarmos abater frente às inúmeras situações que acometem as nossas famílias. Nosso esforço não é em vão! Nossa luta não é em vão! Deus combate a nosso favor e nos dá a força necessária para sermos vitoriosos.

Na Segunda Leitura (1Cor 1,3-9) o apóstolo Paulo nos recorda que de Cristo, recebemos tudo aquilo que é necessário para a nossa salvação. Por ele todas as graças e dons foram derramados sobre a humanidade, mas é preciso perseverar para não ser pego de surpresa diante a vinda do Senhor. Paulo nos chama atenção à necessidade de aguardarmos a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. 1Cor 1,7) Mas que revelação é esta? E como nos prepararmos de verdade para isso?
Esta revelação que nos aponta Paulo é a segunda vinda de Jesus, é o dia de sua manifestação gloriosa e instauração plena do Reino de Deus. A Igreja nos ensina no Advento que devemos nos preparar para esta vinda, para este encontro, que ninguém pode escapar. Tal preparação se dá pela vivência concreta da filiação divina que nos foi dada. Se Deus é nosso Pai, é nosso Redentor e Salvador, cabe a nós assumirmos isso dentro da nossa vida diária. E se engana quem acha que é preciso grandes oportunidades para assumir esta filiação, já que o que Deus quer de nós é que no nosso cotidiano, nas pequenas ações ordinárias sejamos seus filhos e anunciemos a sua vinda.

No Evangelho (Mc 13,33-37) esta vigilância, própria do tempo do Advento, nos é apresentada de maneira ainda mais clara. Sobre sua segunda vinda, Jesus nos diz: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento”. (Mt 13,33) Esta palavra dita pelo Senhor não deve nos inquietar, gerar medo e pânico, pois os mesmos não são equivalentes à postura de um verdadeiro discípulo de Jesus. Quem segue ao Verbo de Deus Encarnado deve, antes de tudo, pautar a sua vida pelo Evangelho, procurando ser um bem-aventurado e não se desesperar diante da vinda de Jesus. Se eu quero estar preparado devo ser um pai melhor, um esposo mais amoroso, um homem íntegro; devo ser uma mulher melhor, uma esposa melhor, mais cuidadosa e gentil, uma mãe mais presente, uma mulher íntegra.

Marcus Vinicius Franca. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.



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