Lançado em: 05-01-2018

Homilia da Festa da Sagrada Família.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Amados irmãos e irmãs estamos encerrando mais um ano civil. Hoje é dia de agradecermos a Deus por tantas bençãos, por tantas graças, por tanto amor, carinho e cuidado com que Ele nos tem acompanhado em 2017. Além de agradecer, pedimos a Ele um ano novo repleto de paz, de amor e de ternura. Não há como encerrar um ano com mais alegria do que celebrando a Sagrada Família de Nazaré que é, para nós, modelo de fé e esperança em Deus.

A Primeira Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a) do Livro do Eclesiástico, muito usado em nossa liturgia, nos remonta a um texto escrito por volta do ano 180 a.C, onde havia em Israel um processo de paganização, de helenização que estava destruindo as tradições de fé do povo Hebreu. Fazendo com que o mesmo se afastasse das Leis de Deus e servisse a deuses estranhos. Diante dessas problemáticas, o autor sagrado vê na família a fonte para que tais tradições não se percam, ou seja, é resguardando a família que a fé do povo não perece. Se há uma possibilidade de salvação para Israel frente o processo de paganização, a mesma passa pela família orante, fiel a Deus e aos seus mandamentos.

Também, em nossos dias, vivemos tempos difíceis. Realidades de morte, de injustiça, de corrupção, de insegurança, de incredulidade rodeiam a nossa sociedade. O pessimismo está alicerçado em nosso modo de agir, fazendo com que nossas obras e ações estejam totalmente já predeterminadas à derrota. Mas, assim como no tempo do povo Hebreu a família foi a resposta, foi um caminho de resistência ao pecado, em nossos dias ela também é o lugar privilegiado para mudarmos a realidade de nossos dias.
A Primeira Leitura de hoje tem como base o quarto mandamento, é possível perceber que na mesma a necessidade honrar Pai e Mãe é colocada em destaque, é uma realidade necessária para aqueles que desejam receber a benção de Deus. Isto nem sempre é fácil, uma vez que nossos pais são homens e mulheres frágeis, que erram, caem, tem limitações e fraquezas, são pessoas comuns que por mais que procurem acertar, acabam falhando e, muitas vezes, nos machucando e ofendendo.
Contudo, estes erros não devem ser maiores do que o amor que devemos nutrir a nossos pais, já que este amor advém primeiramente de Deus. É por amar ao Senhor que devemos amar nossos pais. É preciso superar realidades do passado, dar o perdão, pedir o perdão. Não podemos mais pararmos nos defeitos uns dos outros e fazer dos mesmos obstáculos para a ação de Deus em nossos lares. Só perdoando podemos fazer experiência com a misericórdia de Deus. Estamos nos tornando pessoas amargas, justamente porque remoemos o passado, os erros dos nossos pais e não conseguimos olhar para aquilo de bom que eles têm feito por nós. É preciso mudar nosso modo de agir imitando a Sagrada Família de Nazaré.

Esta mudança é apresentada na Segunda Leitura (Cl 3,12-21) a partir de algumas características que devem existir em nossas famílias, para que sejamos santos como a família de Nazaré, a saber: a misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência e perdão. (Cf. Cl 3,12). São estas características que devem habitar em nossos lares abundantemente. Todos os anos que se iniciam fazemos propósitos para um ano melhor, entretanto, isto passa pela conversão de nossos lares que tem nessas qualidades um ponto fundamental.
Além disso, afirma o apóstolo: “Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 20Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem”. (Cl 3,18-21).
Diante das qualidades afirmadas pelo apóstolo e deste modo de ação para cada membro da família, cabe a nós buscar moldar o nosso viver e nos questionar: quantas esposas, em vez de serem solicitas, são verdadeiras inimigas de seus maridos e não perdem a oportunidade de falar mal, de criticar e de julgar? Quantos esposos, em vez de amorosos, são tão grosseiros com suas esposas a ponto de humilhá-las, de as ofender, de as tratar tão mal? Quantos pais têm intimidado os filhos, em vez de corrigi-los com amor, agem com extrema grosseria, ameaçando-os? Precisamos nos converter meus irmãos, precisamos moldar o nosso lar a exemplo da Sagrada Família.

No Evangelho (Lc 2,22-40) temos relatada a apresentação de Jesus. A família de Nazaré cumpria os preceitos da Lei de Deus. Apresentar o Menino Jesus no Templo é consagrá-lo a Deus, é entregá-lo ao Pai. Este exemplo não pode ficar no passado, os pais também devem apresentar seus filhos a Deus, pedir que o Senhor os abençoe, os guarde os proteja sempre. A Igreja deve fazer parte da programação das famílias, temos tempo para tudo em nossos lares, saímos para todos os lugares, levamos nossos filhos para tudo, mas não os levamos para a Igreja, não os educamos na fé, não os ensinamos que sem Deus ninguém é feliz, ninguém é bom. E quando os levamos acabamos deixando-os fora da Igreja, isto é um erro! O lugar da criança é dentro da missa, é ouvindo a palavra de Deus, mesmo que não se comportem tanto

Quando olhamos para a Sagrada Família, nossa devoção parece distante. Olhamos para ela como modelo, mas achamos praticamente impossível que nossa família a imite. Mas, por que essa ideia de distância? Isto acontece porque, acabamos ao olhar para Sagrada Família temos uma noção de privilégio, de perfeição, de algo que não é para homens e mulheres fracos como nós. Contudo, se olharmos para a história da Família de Nazaré veremos tantos sofrimentos, desde a anunciação do Anjo à morte de Jesus. A Sagrada Família sofreu, passou pela pobreza, padeceu, passou pelas dificuldades que todas nossas famílias passamos. O que faz da Família de Nazaré um modelo para nós é a forma como ela passou pelas dificuldades. E esta forma é a fé em Jesus Cristo, a renúncia a si mesmo em favor do outro. Só foi possível para a Sagrada Família vencer as dificuldades porque tinham Jesus como centro de suas vidas. Se Jesus for o centro da sua família nenhuma dificuldade poderá vencê-la.

Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.



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