CLARA DE ASSIS

1194-1253

Santa Clara é conhecida por ser a face feminina do franciscanismo. Nascida em 1194 (1193), na cidade de Assis, em uma família nobre e com grandes posses, Clara se viu diante de grandes questionamentos ao longo de sua juventude. Exemplos como o de seu pai que era conde e cavaleiro feudal, e seu tio - conhecido como um cavaleiro brutal e inescrupuloso – contrastavam-se com atitudes generosas e elevado grau de religiosidade, como o de sua mãe Hortolana.

Desde o seu nascimento, Clara passou por momentos de provação. A gravidez de sua mãe foi difícil desde o início e o seu parto, foi de grande risco. Mas a criança nasceu saudável e recebeu o nome de sua mãe, que dizia que a menina iria iluminar toda a humanidade. Clara – conhecida por sua beleza única chegou a ser prometida para um jovem da nobreza, mas antes que o matrimônio fosse consumado, fugiu a procura de São Francisco, do qual já ouvia as pregações.

Clara se consagra ao Senhor pelas mãos de São Francisco

Durante alguns anos, Clara já se dedicava às orações e meditação. Identificou-se sempre com os valores e lutas franciscanas pela paz, justiça e humildade. Durante um ano, Clara vai à Capela de Santa Maria dos Ajos ouvir a pregação de Francisco e conversa com ele. Às escondidas, acompanhada duma amiga, ela encontrava-se com ele e conversavam longamente sobre o tesouro do evangelho que Francisco havia encontrado. Depois de várias conversas e de muita oração, Clara tomou uma decisão: iria se juntar a Francisco e aos seus irmãos. Aos dezoito anos, na noite do Domingo de Ramos de 1212, Clara saiu a noite de casa, acompanhada de sua amiga e confidente, Filipa de Guelfuccio, e foi até a Porciúncula, onde Francisco outros frades e freiras de outros mosteiros a esperava. Na cerimônia de profissão de Fé de Clara, foi o próprio Francisco que cordou seus cabelos.

Sua família iniciou as buscas por Clara, mas foi em vão. Quando seu tio foi ao seu encontro, no mosteiro das beneditinas de São Paulo, Clara foi tão firme ao dizer que já tinha encontrado seu caminho, que a família parou de tentar dissuadí-la de sua vocação religiosa. O choque da família não se deu pela escolha religiosa de Clara, já que muitas jovens da nobreza iam para conventos naquela época. O problema era sua postura espiritual radical que, inspirada em Francisco, adotou os valores da pobreza total.

Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas dos seus pais conseguiram fazê-la retroceder no seu propósito. Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio-lhe fazer companhia, cheia do mesmo ideal. Alguns anos após, a sua mãe, juntamente com sua terceira filha, Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco. A exigência espiritual de Clara e suas irmãs era o que a diferenciava das outras comunidades de freiras, o que fez com que Clara passasse boa parte de sua vida lutando para que o Papa aceitasse sua Regra. Em 1228, Gregório IX autorizou e confirmou a nova Ordem das Clarissas, que era conhecida inicialmente como a comunidade das "Damas pobres".

Leia mais nas fontes franciscanas

FRANCISCO DE ASSIS

182-1226

Giovanne di Pietro di Bernardone nasceu na cidade italiana de Assis, por volta dos anos de 1182. O pequeno garoto foi batizado, posteriormente, com o nome de Francisco, em homenagem à França - país onde seu pai comerciante costumava viajar para realizar grandes negócios. Durante boa parte de sua juventude, Francisco viveu em meio ao luxo e agitada vida social, graças à riqueza e prosperidade do comércio de tecidos de seu pai. Na época em que Francisco viveu, a Igreja passava por momentos difíceis. Vivia mergulhada numa riqueza e poder muito grande, longe do Evangelho anunciado por Jesus Cristo. Era também uma época de guerras: da Igreja contra os muçulmanos, de cidade contra cidade, do Papa contra o imperador.

Por volta de seus vinte anos, o jovem alistou-se no Exército e lutou a favor dos pobres de Assis contra os nobres defendidos pela cidade vizinha de Perúgia, que saiu vitoriosa após o combate. Foi nessa cidade que Francisco foi preso e, após um ano de encarceramento, viu-se humilhado e com a saúde bastante debilitada. Após meses de recuperação, o jovem sentiu-se diferente. Não mais sentia prazer nas festanças e banquetes da nobreza de Assis. Foi, então, enviado às Cruzadas.

No caminho de volta a Assis, sua vida mudou radicalmente. Diversos acontecimentos afirmaram a vocação de Francisco de servir Jesus e seu evangelho, e sua conversão gradual se iniciou. Dentre eles, nas ruínas da Igreja de São Damião, quando ouviu a imagem de Cristo dizer-lhe: “Francisco, restaure minha casa que está em ruínas”.

Colocando logo em prática o pedido do Pai, Francisco reconstruiu três pequenas igrejas abandonadas: a de São Damião, a igrejinha da Porciúncula dedicada à Santa Maria dos Anjos e a de São Pedro. O dinheiro para reerguer os templos foi conseguido com a venda de peças de tecidos que Francisco roubou da loja de seu pai. Muitas vezes Francisco usava suas próprias mãos para erguer a igreja pedra por pedra, como no caso da Igreja de São Damião.

Leia mais nas fontes franciscanas