Lançado em: 28-10-2017

Imitar a Cristo significa passar por um processo de configuração!Liturgia Dominical

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Amados irmãos e irmãs, mais uma vez, por misericórdia de Deus, nos reunimos em torno da mesa da palavra e da Eucaristia no dia do Senhor, para recebermos vida em plenitude. A liturgia da palavra de hoje nos convida a meditar sobre o fundamento de todos os mandamentos e da nossa fé, a saber: o amor a Deus e ao próximo.

A Primeira Leitura (Êx 22,20-26) nos aponta uma série de prescrições, mandamentos e leis que a comunidade de Israel possuía. A exegese cristã costumou chamar esta parte do livro do Êxodo de Código da Aliança ( Cf. Ex 20, 22 – 23, 19.). Tais normas fazem parte da instauração da aliança entre Deus e o seu povo. Podemos perceber que esta aliança não se faz sem o cuidado com o outro, com o menos favorecido. O trecho da liturgia de hoje nos aponta o cuidado e a misericórdia do Senhor com o estrangeiro, com o órfão e com o pobre. Estes três, dentro contexto social e cultural da época, não possuíam valor algum, estavam à margem, eram desprezados, mas o povo que faz aliança com Deus não pode perpetuar esta exclusão.
Está aliança feita no Antigo Testamento é levada a plenitude no Novo, pelo sacrifício de Jesus. Nós somos o povo da nova e eterna aliança e devemos nos questionar: a aliança que fiz com Deus me leva a acolher aqueles que estão sendo marginalizados? Sendo filho desta aliança eterna selada pelo sangue de Jesus, estou sendo misericordioso com aqueles que não têm nada a me oferecer em troca? Meus irmãos e irmãs, devemos lutar, com todas as nossas forças, contra uma religião de palavras vazias, individualista, sectária em que o que importa é se eu e aqueles que me rodeiam estão bem. Se eu faço aliança com Deus, devo ir até os mais necessitados, os excluídos.

A Segunda Leitura (1Ts 1,5c-10) nos apresenta a continuação do trecho que lemos na semana passada. Hoje o apóstolo Paulo, aponta aos fiéis tessalonicenses o quanto foi importante à perseverança na fé deles, uma vez que se tornaram exemplo para os fiéis da Igreja na Macedônia e na Acaia, que eram naquele contexto duas províncias que estavam sobre a administração do Império Romano. Esta perseverança dos fieis tessalonicenses se deu pela imitação que eles realizaram de Cristo.

A imitação de Cristo é algo que nos parece bem distante em nossos dias. A palavra imitação nos parece, em uma leitura superficial, retirar toda e qualquer subjetividade. Entretanto, imitar a Cristo significa passar por um processo de configuração, é quando o homem e a mulher de fé buscam ter os mesmos sentimentos, as mesmas ações, os mesmos gestos de Jesus, mas isto, dentro da sua realidade particular. A imitação de Cristo acontece quando você, esposa, ama seu marido, tem mais paciência com ele. Acontece quando você, esposo, se dedica mais a sua família, procurar amar mais a sua esposa. Acontece quando vocês, pais, procuram amar mais seus filhos, educá-los, instruí-los na fé. Só podemos imitar a Jesus quando todos os nossos gestos, palavras e ações estão pautados no amor e na misericórdia.

No Evangelho (Mt 22,34-40) continuamos a presenciar o embate entre Jesus e as autoridades religiosas. O Senhor é interpelado sobre qual é o maior mandamento da Lei e a resposta de Jesus é que o maior mandamento é o amar a Deus com todo coração, com toda alma e com todo entendimento e que o segundo é amar o próximo como a nós mesmos. Estes dois mandamentos não podem ser lidos separadamente, há uma hierarquia entre eles, pois é o amor a Deus que fundamenta e dá o verdadeiro sentido do amor ao próximo.

A resposta de Jesus nos lembra da realidade inicial e final de todo o homem que é amar a Deus. O homem foi criado para o amor, a essência do ser humano é amar. O homem não pode ser feliz se sua existência não estiver direcionada para seu Criador. Em nossos dias, estamos buscando dirigir nossas existências para muitos lugares, muitas coisas e para muitas pessoas, mas não encontramos felicidade. É inútil queremos preencher o lugar de
Deus na nossa vida com os bens materiais, com as pessoas que estão ao nosso lado. Há uma inquietude dentro do homem que só se findará quando o mesmo voltar-se para Deus. A humana criatura tem em sua alma uma abertura para o infinito, para aquilo que o supera e o transcende e nada pode saciar, nem preencher tal abertura, pois nada pode tomar o lugar de Deus.

Jesus nos aponta que há outro grande mandamento e que está intimamente ligado ao amor a Deus que é o amor ao próximo. Entretanto, é preciso entender o que é este amor ao próximo que Jesus está se referindo. O amor cristão não é sentimentalismo, ele não nasce de uma necessidade egoísta, vazia, ele não se dá meramente por palavras. O amor cristão não é o amor do mundo, porque não é passageiro, não encontra fundamento e sentido no próprio homem. O amor ao próximo que Jesus diz não é outro senão o amor que nasce da cruz, do esvaziamento, da renúncia do respeito e reverência a Deus.

Sem isto nosso amor ao próximo não passa de sentimentalismo, torna-se uma experiência vazia, pois em sua essência Deus está sendo excluído. O amor que Jesus fala é aquele que não faz acepção de pessoas, que se preocupa com o outro, pois ele é criatura de Deus como eu e, por isso, meu irmão. Quantas vezes, o nosso amor ao próximo, na verdade, não é uma busca por estima pública, por sermos aceitos em nosso meio social. Precisamos nos perguntar qual a fonte do amor que sentimos pelo nosso próximo, pois se a mesma não é Deus, precisamos rever nossas atitudes. Que Deus nos dê a graça de amarmos a Ele de todo coração para assim, amarmos o próximo, que é todo aquele que precisa de nós, da nossa oração, do nosso cuidado e da nossa ajuda.

Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.

 



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