Lançado em: 04-11-2017

Todos os Santos e Santas de Deus

Paz e bem! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Amados irmãos e irmãs, celebramos hoje, como Igreja do Brasil, a solenidade de todos os santos. Celebrar tal solenidade é uma oportunidade para que nós possamos meditar sobre o sentido de sermos criados, que é estar diante de Deus e adorá-lo face a face. Lembramos na solenidade de hoje da Igreja Triunfante, daqueles que nos precederam na glória e que não deixam de rezar por nós.

A Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14) nos apresenta uma visão de São João do momento em que os servos de Deus são marcados pelos anjos a mando do Senhor. Na literatura bíblica estes servos, que são apresentados como cento e quarenta e quatro mil, simbolizam a Igreja, povo de Deus, marcados a santidade, a plenitude da graça vinda do céu. Dentro do texto apocalíptico, o selo é uma alusão ao timbre usado pelos imperadores e reis para marcar suas propriedades, ou demonstrar seu poder. Nós fomos selados por Deus, pertencemos a Ele, somos por graça e poder de Deus, chamados a santidade.
A visão de João também apresenta aqueles que vieram da grande tribulação e alvejaram e lavaram as vestes no sangue do Cordeiro (Cf.Ap. 7,14). A tribulação mencionada pelo apóstolo simboliza a perseguição que a Igreja sofre ao longo de sua caminhada sobre a terra. Os que alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro são, não só os mártires, mas também, todos aqueles que enfrentam a perseguição diária, que dão a sua vida, oferecem-na a Deus mediante a fidelidade, o testemunho diário de fé.
Esta visão de João simboliza a glória que é reservada para aqueles que procuram se aproximar de Deus, amá-lo, adorá-lo, procurá-lo com todo coração. A santidade, meus irmãos e irmãs, não é coisa do passado, não é estória inventada para Igreja, ontem, hoje e para sempre, todos os homens e mulheres foram, são e serão chamados a amar a Deus, a serem santos. Não podemos ter medo de sermos santos, de nos aproximarmos da misericórdia de Deus. Ele não nos tira nada, nos dá tudo. Dá-nos a vida, a felicidade, a salvação, a paz e está ao nosso lado.

A Segunda Leitura (1Jo 3,1-3) nos apresenta o porquê podemos ser santos. João, em sua carta, nos recorda uma das experiências centrais da relação entre o homem e Deus. Assim nos diz o apóstolo: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1). A nossa relação com Deus não é a de patrão e empregado, não é a de senhor e escravo, não é uma relação de domínio, Deus não nos criou para sermos suas marionetes, Ele nos criou, para sermos seus filhos, assim como, o Verbo Eterno de Deus. Eis o presente de Deus para nós, somos filhos, não podemos nos afastar desse Pai misericordioso, desse Pai bondoso, compassivo e paciente. Um pai não ama seu filho a partir de um determinado momento, mas sim, desde sempre. Mais ainda Deus, que é o Pai por excelência, Ele nos amou desde toda eternidade, não nos desampara mesmo em meio as nossas infidelidades.

Por sermos filhos precisamos responder ao amor deste Pai. Mas como fazer isto? Sempre, ao olharmos para nós frente à misericórdia de Deus, sentimos vergonha. Nossos erros, falhas e limitações são enormes, sempre seremos devedores diante do amor de Deus. Entretanto, há uma resposta possível, que é amar. Quem quer ser santo, quem quer responder ao amor de Deus que nos faz filhos, ama, mas não como o mundo, porque não tem um amor egoísta, vazio, individualista que faz do outro meio da minha ação. Quem ama como amou-nos Jesus na cruz, ou seja, quem dá a sua vida, que faz da sua vida oferta pelo outro, responde ao amor do Pai e o comunica aos outros filhos que se esqueceram da adoção filial de Deus.
O caminho para a santidade e para a felicidade do homem nos é apresentado por Jesus, no Evangelho do hoje (Mt 5,1-12a), com as bem-aventuranças. Aquele que se reconhece como filho deve ser: pobre, manso, sedento por justiça, misericordioso, puro de coração, perseguido pela justiça do Reino, promovedor da paz. As bem-aventuranças são um código de felicidade autêntica e incomensurável. As duas bem-aventuranças que estão no presente são as que se refere aos pobres em espírito e aos perseguidos por causa da justiça do Reino e sobre estas, iremos meditar.

Ser pobre, dentro da literatura bíblica do Evangelho de hoje, não é equivalente a pobreza material, a condição social. No Antigo Testamento, essa definição de pobre estava associada àquele homem que se apresenta diante de Deus com humildade, reconhecendo suas limitações, seus pecados, mas com extrema confiança, ser pobre em espírito é reconhecer que todo dom, toda graça advém de Deus, que é rico em misericórdia e por amor nos doa sua bondade. Esta foi à atitude dos santos, reconhecer-se sempre pobre em espírito. Nenhum santo colocou em si mesmo o mérito de suas ações, mas transferiu tudo para o amor a Deus. Ser santo implica dar a Deus aquilo que lhe é de direito e reconhecer-se diante Dele como filho.
A perseguição por causa do Reino de Deus também é sinal de santidade. Santo não é aquele que anda recebendo o aplauso dos homens, que procura agradar a todos, que procura a sua autopromoção, o reconhecimento público. Por causa da mensagem de Jesus, homens e mulheres foram e são perseguidos, torturados e mortos, mas não renunciaram, porque tudo o que fizeram está fundamentado no amor.

Quem ama não volta atrás, porque um foi amado com misericórdia por Deus. Por isso, te convido a ser santo, meu irmão e minha. Não podemos mais ficar a sombra dos santos canonizados pela Igreja, nossa relação com eles não deve ser a de uma admiração vazia, que coloca o mérito das ações deles como algo impossível de ser realizado. Não há santo sem passado e nem pecador sem futuro. Não há santo sem contexto, sem dificuldades, tentações, provações e cruzes. A sua santidade, meu irmão, consiste em ser um bom pai, educar seu filho na fé da Igreja, renunciar na educação de seus filhos a tudo aquilo que ofende a Deus, consiste em ser um esposo fiel, amoroso, carinho em abandonar o mau humor, a ira e agir com amor. Sua santidade, minha irmã, consiste em amar mais seus filhos, ter mais paciência, consumir-se na educação deles, ser exemplo para que eles conheçam a Deus através de você, consiste em ser uma esposa melhor, mais humilde, amorosa atenciosa e carinhosa. A família é o lugar privilegiado para a santificação. Não tenham medo de apostar no amor encarnado e crucificado! Não tenham medo de ser de Deus! Não tenho medo, abram, escancarem seu coração a Cristo! Ser santo é para você, é para sua família. O mundo precisa da sua santidade, da sua ação de filho de Deus.


Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais



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