Lançado em: 24-12-2017

Eis que vos anuncio uma grande Alegria!

Amados irmãos e irmãs Paz e Bem! Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Chegou a festa que todos nós esperávamos, estamos dentro do maior mistério da nossa fé: Deus se fez gente como nós! O eterno tocou, entrou e se doou no tempo! O Verbo eterno de Deus assumiu a nossa condição humana. Na celebração de hoje somos convidados a meditar sobre este grande mistério de amor e paz, pois não somos filhos das trevas, mas sim, da luz que é o próprio menino Jesus.

Na Primeira Leitura (Is 9,1-6) está inserida naquilo que a exegese chama, dento do livro do profeta Isaías, de Livro do Emanuel (Is 7 – 12). Nestes capítulos o profeta anuncia ao povo a sua redenção na figura de um Messias, de um Deus próximo, amigo, bondoso e compassivo e no capítulo sete, o mesmo é apresentado como um menino que nos é dado. Assim afirma Isaías: “Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. (Is 9, 5).

Deus cumpriu sua promessa, meus irmãos e irmãs, o mundo que andava envolto em trevas viu brilhar uma grande luz, que não tem fim. Este menino, que o profeta anuncia, é Jesus Cristo, nosso Deus que se encarnou. É o conselheiro admirável, pois é o único mediador entre Deus e os homens. É o Deus forte, porque a morte não tem poder sobre ele, é o Pai dos tempos futuros, porque atrai a si todos os povos da humanidade e é o Príncipe da Paz, porque nos liberta da escravidão espiritual que vivemos.

Nosso mundo vive um tempo de crise, olhamos para os lados e não temos referenciais, muitas vezes, parece que estamos perdidos, sem esperança, nada parece nos guiar para um lugar mais seguro, mais justo e mais feliz, contudo há sim uma resposta, há uma solução e isto não é um passe de mágica. A resposta para o nosso problema é acolher este menino predito por Isaías, é abrir o nosso coração, ou melhor, escancará-lo para este Deus amoroso que se faz criança. Só construiremos um mundo melhor quando nossas famílias redescobrirem o caminho para o presépio de Belém, as trevas que teimam em escurecer nossos passos só serão banidas quando nossas vidas forem iluminadas pelo menino Jesus.

A Segunda Leitura (Tt 2,11-14) nos aponta um texto da Carta a Tito, onde após o primeiro capítulo em que dá orientações pastorais e doutrinárias sobre como a comunidade deve agir, o Apóstolo nos aponta o grande mistério do amor de Deus, que é pura doação de si. Assim afirma São Paulo: “Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”. (Tt 2,14).

Deus é amor, mas este amor não é amor como nós entendemos hodiernamente. Estamos confundido amor com egoísmo, com indiferença, com fazer do outro o que eu quero, não sabemos o que é renunciar, o que é nos entregar, o que é dar ao outro o melhor que temos. O amor de Deus pode ser pensado como doação plena. Deus sempre se empobrece, porque sempre dá tudo o que tem, nunca guarda para si nada, nem o seu próprio filho. É um amor que está muito além de nossa mera compreensão, que nos surpreende e deve nos levar a refletir sobre como estamos levando a nossa vida.

O Evangelho (Lc 2,1-14) nos apresenta a narrativa de Lucas sobre o nascimento de Jesus Cristo. O evangelista nos aponta que o decreto do Imperador Romano levou José e Maria a sair de Nazaré para retornar a cidade natal da tribo de José que era Belém. Aqui já temos o primeiro ponto para a nossa reflexão. Belém significa terra do pão. Nosso Deus nasceu na terra do pão e tornou-se para nós o verdadeiro alimento. Jesus Cristo é o Pão descido dos céus, é alimento frente nossas fraquezas, é sustento diante de nossas dificuldades. Ouso dizer que a verdadeira terra do pão deve ser o nosso coração, pois ele deve se tornar lugar onde Deus possa nascer e morar.

Jesus nasceu em Belém no estábulo, nasceu no lugar onde os animais se alimentavam. Deus é simples, é humilde não procurou grandes palácios, não quis ser adorado por aqueles que tinham o dinheiro, o poder e o prazer como único Deus. Maria e José bateram as portas de inúmeros lugares e as mesmas não se abriram. Também nós podemos estar com as portas fechadas para Jesus quando somos ignorantes com nossas esposas e filhos, com nossos maridos e filhos, quando nossas famílias tem espaço para tudo e menos para Deus. Depois de José e Maria os primeiros adoradores do Salvador foram os pastores, ou seja, os pobres, aqueles que não tinham instrução religiosa, que pareciam ser os menos dignos de receber a notícia da salvação.

Os pastores pareciam indignos, mas Deus quer nos ensinar que é para os humildes, para aqueles que são tomados como pecadores, para os excluídos que Ele quer se mostrar. Ninguém está fora do projeto de amor que se iniciou no presépio, ninguém pode dizer que Deus não se revela em sua glória misericordiosa e que não foi convidado a dar glória a Deus nas alturas. Assim como os pastores nós também podemos ser tomados como indignos, mas é para nós que Deus quer se apresentar.
Independente da situação de sua casa, se ela ainda está como o estábulo sujo, indigno e despreparado, Jesus vem. Ele quer nascer dentro da sua família para dar vida, para dar uma nova direção, para expulsar as trevas e fazer brilhar a luz do coração amoroso do Pai das misericórdias. Esta é a noite feliz, noite da misericórdia. Deus é gente como nós, sente as nossas dores, reconhece as nossas limitações, nos dá motivo para recomeçar. Que a tristeza dê lugar a alegria, que o choro dê lugar ao sorriso, que a murmuração dê lugar ao júbilo e a oração. Feliz Natal!


Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM.Conventuais

 



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