Lançado em: 12-05-2018

Ascensão do Senhor

40 dias após a solenidade da Páscoa, celebramos a solenidade da Ascensão do Senhor. A Liturgia, para facilitar a participação dos fiéis fixou a Ascensão do Senhor para o 7º Domingo da Páscoa.

Nesta solenidade a Igreja nos convida a termos os olhos voltados para o céu, nossa Pátria definitiva. Como tão bem diz São Paulo: “Vós que ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde está Cristo (Col 3,1)”. Em nossa profissão de fé rezamos que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. Por isso na Ascensão celebramos Jesus dando por completa sua missão. Ele veio do Pai, revelou-nos o rosto Misericordioso do Pai. Ensinou-nos a amar o Pai e a fazer em tudo a sua Vontade.

Ele cumpriu até o fim a missão que o Pai lhe confiou. Agora Ele volta para o Pai, após ter nos ensinado a percorrer o caminho que nos levará de volta para Deus, e Ele próprio se faz o caminho – “ninguém vai ao Pai, senão por mim” (Jo 14,6). Por isso, seguindo Jesus que é o Caminho, a Verdade e Vida, chegaremos ao coração do Pai; sendo assim, como bem rezamos na liturgia: “A Ascensão do Senhor já é nossa vitória”. Mas o caminho que leva de volta à glória do Pai passa pela cruz, pela capacidade da entrega da vida: “Quando eu for elevado na terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32) – a elevação de Jesus na cruz significa e anuncia a sua elevação ao céu.


Nos Atos dos Apóstolos – 1,1-11, encontramos a narração da Ascensão de Jesus. Enquanto Jesus se eleva e os discípulos ficam olhando para o alto, uma voz os interpela dizendo: “Porque ficais aí olhando para o céu, o mesmo Cristo que hoje foi elevado, virá novamente a vós”. A Ascensão deve nos levar a um comprometimento em nossa fé, como discípulos missionários do Senhor, pois com a Ascensão termina a missão de Jesus e começa a missão da Igreja.

Em Hebreus 9,24 lemos: “Jesus não entrou em um santuário feito por mãos humanas.... e sim no próprio céu, a fim de comparecer diante da face do Pai a nosso favor”. Na encarnação Jesus, o Verbo eterno, traz até nós o mistério da divindade. Na sua Ascensão Ele leva para junto de Deus a nossa humanidade. Ele é o primogênito de toda criatura a entrar na plenitude da vida, levando consigo nossa humanidade redimida; e membros do seu corpo pelo batismo, somos chamados também a participar da sua glória.

A Solenidade da Ascensão nos ensina como diz São Paulo: “somos cidadãos do céu” (Fil 3,20). O cristão vive neste mundo, sem ser do mundo. Caminha entre as coisas que passam, abraçando as que não passam.

A Ascensão de Jesus não é uma despedida, mas sim, um novo modo de sua presença. Ele agora continua agindo através daqueles que Nele acreditam e que se dispõem a continuar o seu amor no mundo.

Ao final do percurso que estamos percorrendo como Igreja nesse tempo pascal nos deparamos com a solenidade da Ascensão do Senhor. Essa celebração marca o final desse período de particular alegria por celebrar a vitória de Cristo sobre a morte e, com ela, a nossa reconciliação com Deus. Mas se a ascensão é a subida de Jesus ao Pai, podemos nos alegrar? Parece que Jesus está nos deixando, qual é então o motivo da celebração?

Essas são perguntas que, de alguma forma, o Papa emérito Bento XVI buscou responder em seu livro Jesus de Nazaré, no qual fala sobre a vida de Jesus e os diversos acontecimentos que nela se deram. Quando medita sobre a Ascensão do Senhor, ele destaca a reação dos discípulos frente a esse suposto “ir embora” de Cristo. A reação deles é de alegria, o que nos deixa muito intrigados. Como assim os discípulos puderam se alegrar com isso? Mas efetivamente se alegraram como podemos ver no final do evangelho de Lucas: "Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo." (Lc 24, 51-52)


Se, à primeira vista, não conseguimos uma explicação na bíblia para isso, pelo menos a leitura deve fazer-nos pensar que alguma coisa está escapando a nossa compreensão. O que fica evidente é que os discípulos não se sentem abandonados, não acreditam que Jesus tenha partido para um céu inacessível e distante. Parece evidente, diz o Bento XVI, que os discípulos estão seguros de uma certa presença nova de Jesus. E de fato, se olhamos a comunidade primitiva e o seu anuncio, perceberemos que se bem eles anunciam a vinda de Cristo novamente, o que eles fizeram foi, sobretudo, dar testemunho de uma presença viva de Jesus. Testemunho de que ele está vivo, que é a Vida mesma.

E para explicar melhor, Bento XVI nos diz que essa figura na qual Cristo aparece sentado à direita do Pai não faz referência a um local concreto, porque Deus é espírito puro. Deus não está no espaço, Ele é aquele que sustenta o espaço sem estar nele. Jesus retorna ao Pai e por isso retorna a essa condição na qual não está limitado pelo espaço e justamente por isso pode estar presente de uma forma distinta no mundo inteiro. Diz Bento XVI: “Seu ir é precisamente uma vinda, um novo modo de proximidade, de presença permanente”. E é essa presença a causa da alegria dos discípulos no Evangelho de Lucas que vimos acima.

Um bom exercício é se perguntar se realmente conseguimos nos alegrar com a presença permanente de Cristo no mundo e em nossas vidas dessa maneira distinta. As vezes gostaríamos que essas realidades fossem mais concretas, que pudéssemos ver com esses olhos materiais aquilo que, atualmente, apenas os olhos da fé nos permitem ver. Lembremos que Jesus chamou de felizes aqueles que conseguem acreditar sem ver e peçamos a Ele que aumente cada vez mais a nossa fé. Que possamos experimentar hoje essa presença real no meio de nós. Que essa presença viva seja a força da nossa própria vida. E que consigamos, com a alegria que advém desse presença viva, anunciar a todas as pessoas que Jesus não nos abandonou e que estará sempre ao nosso lado, guiando-nos até a comunhão plena com Deus por meio do Espírito Santo.

Por Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
 



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