Lançado em: 10-08-2018

Celebração do Trânsito de Santa Clara

Clara, fez de toda a sua existência um perene ação de graças. Na hora de sua morte elevou a Deus o seu mais belo Hino de louvor: “Sê bendito, Senhor porque me Criastes, fazendo de seu transito um memorial da própria morte do Senhor irradiando na Igreja e no mundo sua luz claríssima.
Neste momento elevemos também a Deus o nosso hino de ação de graças pela vida da Mãe Santa Clara, recordando o momento glorioso de seu transito, em que o Rei da glória e a virgem Maria vieram buscá-la levando-a ao tálamo celestial.
Comemoramos os últimos momentos de sua vida e a passagem desta vida para a entrada nas moradas eterna glória. Unidos no mesmo ideal evangélico clariano, por uns instantes, volvamos nosso olhar para a longínqua cidade de Assis, na Itália…, para o pequeno Mosteiro de São Damião e celebremos em espírito de gratidão e louvor, segundo o costume tradicional da Ordem de Santa Clara, o glorioso trânsito de Santa Clara. Ela que sempre encarou a vida como dom, pôde no derradeiro momento entoar o seu hino de humildade e pobreza ao Pai das misericórdias, doador de tudo que é bom.
Revivamos com emoção os últimos episódios da sua peregrinação terrena. Este é um momento de alegria para todos nós. Clara recebeu a morte não como inimiga indesejada, mas a abraçou como irmã, porta para a verdadeira vida.
Com Santa Clara compreendemos melhor a extensão dessas palavras do Apóstolo: “Nenhum de nós vive para si e ninguém morre para si. quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao senhor”. (Rm. 14,7-8)

Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã morte corporal da qual homem algum pode fugir.
Clara fez da sua vida uma adesão total a Cristo pobre e Crucificado, tendo em vista a participação nos seus sofrimentos a fim de merecer, com Ele, entrar na glória.
Quarenta anos haviam passado, desde que Clara abandonou os bens passageiros e ingressou definitivamente na vida de seguimento a Cristo Pobre e de Sua Mãe Ssma. Desponta-se então, nova aurora e Aquele a quem dedicou toda a vida estava próximo. Com toda razão ela podia exclamar: “Tudo o que para mim era vantagem, considerei perda por Cristo. ”Sua vida foi uma contínua Ação de Graças, pois ela compreendeu a eminência do mistério de Cristo; a dor e o sofrimento, longe de extinguir o seu espírito de louvor, antes o incrementava.

“Durante quarenta anos correra ela no estádio da Altíssima pobreza e já se aproxima o prêmio da vitória final, precedida, porém de muitos sofrimentos. Com efeito, o vigor de sua constituição física fora abalado, nos primeiros anos, por severa penitência. Enquanto gozava de saúde se enriquecera com os méritos de suas obras, agora enferma se enriquece com os méritos de seus sofrimentos. Pois “é na fraqueza que se revela a força”. ( 2Cor.12,9).
Até que ponto a sua maravilhosa virtude se aperfeiçoara na enfermidade se evidencia principalmente pelo fato de que, em vinte e oito anos de contínuas dores “não se ouviu nenhuma queixa ou murmuração”; pelo contrário, seus lábios sempre tinham uma santa conversação, uma contínua ação de graças.

E ainda que, esgotada como estava pelo peso das enfermidades, parecesse que seu fim estivesse iminente, contudo aprouve ao Senhor adiar o seu trânsito até o momento em que pudesse ser exaltada com dignas honras pela Igreja Romana, que a gerara e da qual era filha especial. (Legenda,39).
Aproximava-se para a Mãe Santa Clara o fim do exílio, o dia das núpcias eternas, em que receberia, daquele a quem fielmente amou e serviu, o prêmio da perseverança. É ela mesma que nos comunica o quanto o Senhor foi suave para com sua serva e como tudo se simplifica quando a opção é total e definitiva. Ouçamos com veneração, a narrativa dos últimos momentos de sua vida, conforme no-los descreve Celano.

“Por fim, viram-na debater-se na agonia durante muitos dias, nos quais cresceu a fé de muita gente e a devoção popular; os Cardeais a visitavam assiduamente, de modo que era honrada como verdadeira santa. O mais maravilhoso, porém, é que, não podendo durante dezesseis dias tomar alimento algum, foi sustentada pelo Senhor com tal fortaleza, que a todos os visitantes confortava no serviço de Cristo. E exortando-a o bom Frei Reinaldo à paciência no longo martírio de tão grave enfermidade, respondeu-lhe desembaraçadamente: “Desde que conheci a graça de meu Senhor Jesus Cristo por meio daquele meu servo Francisco, nenhuma pena me foi molesta, nenhuma penitência pesada, nenhuma enfermidade difícil, caríssimo irmão,”. Mas quando o Senhor se fazia sentir mais perto e como que já estivesse à porta, ela queria que os sacerdotes e irmãos espirituais assistissem a ela, lendo em voz alta a Paixão do Senhor e suas santas palavras. Finalmente ela se voltou para as suas filhas que choravam, a fim de recomenda-lhes a pobreza do Senhor e lhes lembrar, com palavras de louvor, os divinos benefícios. Abençoou seus devotos e devotas e implorou a graça de uma copiosa bênção sobre suas filhas, tanto presentes como futuras.
Quanto ao resto: quem poderá relatar sem chorar? Estavam presentes aqueles dois companheiros benditos de Nosso Pai São Francisco: um deles, Ângelo, triste, consolava os tristes; outro, Leão, beijava o leito da que ia partir. As filhas desamparadas choravam a separação da piedosa mãe e acompanhavam com lágrimas aquela que delas se separava. Afligiam-se amargamente, já que todo o seu consolo desapareceria junto com ela, e abandonadas neste “vale de lágrimas”, não mais serão consoladas por sua mestra.
O rigor da clausura exige silêncio, mas a violência da dor arranca gemidos e soluços.
E a Virgem, entrando em si, fala silenciosamente à sua alma: “Vai segura, minha alma porque tens um bom guia de viagem. Vai porque Aquele que te criou, também te santificou e, cuidando de ti, como uma mãe cuida de seus filhos, te amou com terno amor. Senhor, sede bendito porque me criaste”!

Perguntando-lhe uma das irmãs com quem estava falando respondeu: “Falo a minha alma bendita”. E aquela gloriosa coorte já não estava mais longe dela. Pois, dirigindo-se em seguida a uma de suas filhas, diz: “Vês, ó filha, o Rei da Glória que eu vejo? “
Também sobre outra irmã se manifestou a mão do Senhor. Com seus olhos carnais ela contemplou, entre lágrimas, uma visão feliz. Viu, entrando na casa , um coro de virgens, vestidas de túnicas alvas; todas tinham sobre as cabeças uma coroa de ouro. Caminhava
entre elas uma que era mais resplandecente que as demais, de cuja coroa, que em seu arremate apresentava uma espécie de turíbulo com orifícios , se difundia tão grande esplendor, que dentro da casa converteu a noite em dia luminoso. Ela se
adiantou ao leito onde estava a esposa do Filho, e inclinando-se amorosamente sobre a mesma, lhe deu um abraço suavíssimo. As virgens deixaram ver um pano mortuário de rara beleza e, enquanto à firmeza de ânimo prestavam seus serviços, cobriram o corpo de Clara e adornaram o seu leito.

Na manhã do dia seguinte, festa de S. Lourenço, aquela alma santíssima saiu do corpo para ser coroada com o prêmio eterno.
Alcançou verdadeiramente, com sua vida pobre e humilde, Aquele que criou tudo do nada. Foi cooperadora do próprio Deus e sustentadora dos membros débeis do seu inefável corpo(III Carta de Sta. Clara)
Suas últimas palavras foram recolhidas e guardadas como relíquias. São lembradas e cantadas com amor e devoção, no dia de hoje, por todas as clarissas do um do inteiro. “Vai segura minha alma, porque tens um bom Guia para conduzir-te. Vai tranqüila, porque Aquele que te criou, te santificou e te ama com amor enternecido de uma mãe por seu filhinho querido. E vós, Senhor, sede bendito porque me criastes.”
Vai segura, minha alma Porque tens aqui bom guia

Se grande foi a dor pela perda da incomparável Mestra, muito maior foi alegria que brotou do coração das filhas que podiam, agora, assegurar-se da Sua intercessão no Céu.
Logo após a morte de Clara, foi enviada a todas as irmãs da Ordem a seguinte carta:

E sua partida triunfal e trânsito solene da terra ao céu, embora espiritualmente cumule de gozo os nossos sentidos, do ponto de vista temporal enche os nossos olhos com um rio de lágrimas; porque, enquanto subtraiu seus passos ao terreno resvaladiço do prazer humano e os dirigiu pela senda da salvação, ela se ocultou, a nossos olhos. Pois aprouve ao Senhor, talvez por culpa de nossa imperfeição, que Clara, gloriosa, irradiasse antes a sua claridade no trono do Céu, e não continuasse presidindo, graciosa, as irmãs, no seu lugar na terra.

Para que falar mais? Não se pode explicar com expressões humanas a profundidade dessa bem-aventurança. Mas convém que
conheçais pelo menos o prêmio que ela, pela graça de Deus, recebeu pouco antes de seu trânsito; pois veio visitá-la o Vigário de Cristo, acompanhado do Colégio de seus irmãos, os cardeais, que não a abandonou nem mesmo depois de morta, honrando com sua presença as exéquias dela.

Clara, preclara por méritos claros, brilha no céu com claridade de glória insigne, e na terra pelo esplendor de milagres sublimes. Aqui cintila a austera e Ordem de Clara. (Bula de Canonização)
Todos: Ela luziu no século, mais ainda resplandeceu na vida religiosa. Na casa paterna foi como um raio luminoso,
mas no Mosteiro cintilou com fulgor. Brilhou na sua vida, resplandeceu depois da sua morte.

 



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