Lançado em: 08-11-2018

Duns Scotus

João Escoto é o seu nome; Duns é o nome da terra escocesa onde veio ao mundo pelo ano de 1265. Com cerca de 15 anos ingressou na Ordem dos Frades Menores, e em 17 de abril de 1291 foi ordenado sacerdote. Os seus raros dotes intelectuais levaram os superiores a mandarem-no para a universidade de Paris fazer os estudos superiores. Logo que os completou, em 1296, passou a leccionar como bacharel, comentando as “Sentenças” de Pedro Lombardo nas universidades de Cantabrígia, Oxónia e Paris. Teve, contudo, de abandonar esta última cátedra, por se ter recusado a assinar uma apelação ao Concilio, promovida pelo rei da França Filipe o Belo contra o papa Bonifácio VIII. Porém, a exclusão durou pouco, pois regressou logo no ano seguinte, para receber o título de doutor, com uma carta de apresentação do ministro geral da Ordem, padre Gonçalo Hispano, que tinha sido seu mestre, e o recomendava como absolutamente digno do doutoramento, “quer por uma já longa experiência de ensino, quer pela fama de que já gozava em várias universidades, bem como pela vida exemplar, ciência excelente e inteligência sutilíssima” do candidato.

Em finais de 1307, pouco antes de falecer, João Duns Escoto lecionava na universidade de Colônia. Talvez não tenha havido em toda a Idade Média nenhum outro doutor mais notável do que este franciscano da Escócia, que estudou em Oxónia, leccionou em várias universidades incluindo a de Paris, donde foi expulso por ter a coragem de se opor à prepotência dum rei, e veio a morrer numa idade em que outros filósofos começam a produzir, como se a chama do pensamento lhe tivesse queimado a juventude. O título que lhe atribuíram, de “Doutor Sutil”, exprime a sua sublimidade. As suas doutrinas sobre a SS. Virgem e sobre o mistério da Encarnação vieram a ser confirmadas no dogma da Imaculada Conceição e no culto da realeza de Cristo. Como filósofo metafísico e como teólogo, teve ainda o mérito de elaborar e sistematizar o misticismo de S. Boaventura e os grandes amores de S. Francisco, Jesus e sua Mãe. Por isso a posteridade também lhe chamou “Doutor do Verbo Encarnado” e “Doutor Mariano”. Teve numerosos discípulos, e tomou-se uma figura de relevo da escola franciscana, iniciada com Alexandre de Hales, celebrizada com S. Boaventura, o “Doutor Seráfico”, e que atingiu o apogeu com Escoto.

Depois dos mistérios de Jesus, foram os de Maria que constituíram as elucubrações teológicas do Doutor Sutil. Duns Escoto é o grande teólogo da Imaculada Conceição. Numa disputa pública sobre esse assunto em que foi convidado a participar, esteve calado enquanto 200 teólogos expuseram as suas teses, tentando provar que Maria não poderia ter nascido sem pecado original, pois nesse caso Cristo não teria sido o Redentor de todo o gênero humano. Depois de os ouvir a todos, o nosso Doutor Mariano levantou-se para tomar a palavra, e refutou um por um todos os argumentos apresentados contra o privilégio de Maria Imaculada, e demonstrou pela Sagrada Escritura e escritos dos Santos Padres e com a sua irrefutável dialética que tal privilégio era condizente com a fé, e por isso se devia atribuir à Mãe de Deus. Foi o triunfo mais clamoroso na célebre Universidade da Sorbone, sintetizado no célebre axioma: “Potuit, decuit, ergo fecil” (Deus podia concedê-lo, era conveniente, e, portanto, concedeu-o).

Morreu em Colônia, em cuja universidade leccionava, em 8 de novembro de 1308.

 



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