Lançado em: 28-03-2019

Crônicas Franciscanas- O ideal de Clara de Assis continua vivo

São unânimes os historiadores que afirmam que Clara de Assis era uma mulher a frente do seu tempo. Uma mulher que tinha como objetivo viver uma vida diferenciada dos costumes que eram apresentados naquela época. Tinha uma convicção profunda de entregar a sua vida a uma causa muito maior que conquistas humanas, mas entregando a sua vida ao Criador e conquistar os valores celestes.
Mas para que tudo isto seja possível, Clara faz uma experiência de fé profunda com a pessoa de Jesus Cristo. Uma fé em Jesus Cristo abre portas para ter um relacionamento interpessoal e viver uma vida verdadeiramente humana, ou seja, ela viveu uma vida sem fugas, mas buscando uma identidade profunda com o Salvador da humanidade.

A prática franciscana é buscar crescer espiritualmente por meio da fé, sem abandonar as realidades humanas, as realidades culturais de cada época, pois no coração da vida franciscana encontra-se a experiência da fé em Deus no encontro pessoal com Jesus Cristo. A afirmação vale com igual precisão para a espiritualidade clariana. No coração da espiritualidade Santa Clara está uma experiência singular de fé em Deus, no encontro pessoal com Jesus. Tudo brota do encontro, aponta frei Davi de Azevedo,OFM.
Clara parte da experiência de contemplar o rosto de Cristo. Porque o rosto é a presença da pessoa e o relacionamento interpessoal é central na vida de Clara. Pois ao contemplar o rosto de Cristo ela percebe o amor misericordioso de Deus para toda humanidade. Ela percebe que esse rosto transmite ternura e principalmente a certeza da presença de Deus nos corações dos seres humanos. Por isso, Clara entrou na dinâmica da contemplação do rosto de Jesus, pois a sua prática cristã é marcada por esse rosto que, a faz apresentar para suas irmãs uma vida de contemplação, de fraternidade, igualdade, pobreza, clausura, silêncio, vida comunitária e outras práticas evangélicas. Mas tudo isso foi possível porque ela abriu o seu coração para o encontro pessoal e desse encontro descobriu o verdadeiro rosto de Cristo que é a reflexão do amor do Pai.

Recordando a forma de vida das Irmãs pobres que São Francisco instituiu é observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade. Por isso, a forma e vida das Clarissas não é outra coisa senão contemplar Jesus Cristo e torná-lo presente, como um espelho, pela observância do Santo Evangelho.
Esse projeto de entregar apresentado por Francisco e Clara continua despertando corações generosos, apesar de que está vivendo em mundo quase totalmente no campo da economia, da produção, da eficiência, profissionalismo, competição, consumo, grandes empresas, grandes fábricas, grupos superficiais. O ideal Franciscano ainda fala na sociedade do século XXl, pois Deus sempre suscita homens e mulheres para apresentarem ao mundo o seu projeto de salvação.

Frei Davi, no seu pensamento afirma que Jesus não está em função de Clara, nem Clara em função de Jesus. As coisas passam-se em registro diferente. O importante para Clara é amor e amando faz a verdadeira descoberta de Jesus Cristo e abraçar com toda firmeza a cruz e através da Cruz apresentar que o amor vence todos os males, principalmente do ódio, pois o amor começa a ser partilhado na vivência comunitária. Clara é uma flor, Clara é um fruto, simplesmente porque se sentiu amada e amou. Também hoje, as Clarissas não estão em função de nada. São flores, são uma primavera, porque se sentem amadas por Deus e amam, e isso basta.
Também a espiritualidade clariana fala de uma vivência profunda da caridade. Tirar a caridade do mundo, o que fica? Sem caridade nada presta, sem caridade nada vale, sem caridade nada dura. Sem a amizade do mundo não fica relações verdadeiras. Sem ternura no mundo não existe gentileza, não existe paz. Por isto os mosteiros das Clarissas deverão ser canteiros a emanar esses perfumes indispensáveis aos seres humanos. Porque essa foi a grande novidade apresentada por Clara em pleno século Xll.

Francisco e Clara viveram profundamente a essência do Evangelho e procuraram crescerem nessa dimensão evangélica com um presente do Pai do céu, pois experimentar o amor de Deus na pessoa de Jesus foi a maior descoberta de Francisco e Clara. Por isto de Francisco, Clara recebe Deus, recebe o afeto e o impulsa para lançar-se a viver até o fundo o Evangelho e uma decisão irrevogável. De Clara, Francisco recebeu a iluminação do Senhor. Clara é o reflexo de Francisco, no qual vê como num espelho. O rosto de Francisco, por sua vez, é iluminado pela pobreza de Clara. Uma pobreza que ensinou a Francisco a deixar toda vontade própria para escutar verdadeiramente o Divino Mestre. Assim, devem toda a Clarissa, deixar a sua própria vontade para entender o sentido da vocação e da consagração, fazendo-se pobre e enriquecendo-se a cada dia na dinâmica do amor de Deus.

Pesquisado e escrito por Frei Fernando de Araújo,OFMconv.



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