Lançado em: 04-04-2019

Crônicas Franciscanas - O ideal Franciscano é partilhar o amor

Para muitas pessoas o mundo ideal é o mundo das conquistas e sucesso. O ideal é ter muito dinheiro, ter uma vida fácil e confortável, sem muito esforço. Mas a realidade é um pouco diferente. Também não pode interpretar que Deus deseja o sofrimento do ser humano. Deus deseja a felicidade e a alegria de cada filho, de cada filha. Porém, a vida tem os seus desafios que precisam ser encarados dentro de uma realidade.

O que de fato o mundo precisa hoje é ser tocado pela experiência do amor. A dimensão científica não consegue suprir certas carências e não vai suprir, pois só a experiência verdadeira consegue preencher o vazio de determinadas carências que tem o ser humano. Porque, quanto mais o ser humano abre mão do amor, mas confuso ele fica.

O ser humano hoje foi reduzido a capacidade de agir e ter disso e faz a sua busca, mesmo que precisa eliminar o semelhante. Não importa mais o chamado código de ética ou respeito ao semelhante, o importante é ter e exibir nas redes sócias suas conquistas. Por isso, esse mundo precisa urgente de fazer a experiência do amor. E a verdadeira experiência desse amor é o encontro transformador com o Senhor.

Falando do amor, Pietro Primi diz que há diversas maneiras de amar e sob a mesma palavra se podem ter as mais acentuadas divergências, mas atitudes do espírito. Na tradição grega, especialmente platônica, uma das maneiras de entender o eros é o que o identifica com a necessidade e urgência de alguma coisa, a tendência de o mais baixo se remontar ao mais alto, o imperfeito ao perfeito, o informe a forma, o parecer sem a ignorância ao saber, como algo, portanto que não pode ser atribuído a Deus.

Na experiência cristã, o amor revela-se precisamente no fato de o nobre descer ao insignificante, o são ao doente, o rico ao pobre, o belo ao feio, o bom e o santo ao mal e vulgar , o messias ao publicanos e pecadores, e tudo isso sem o velho medo de perder, de ser menos nobre , outros na mais estranha convicção de ganhar o céu e de se tornar semelhante, porque o amor já uma habitação profunda. E Francisco de Assis entendeu esse amor e partilhou entre os seus irmãos e fazendo se sua vida uma constante doação em favor desse amor.

Tudo isso, porque, o franciscano, a franciscana entrega tudo nas mãos de Deus. Oferece tudo e agradece a possibilidade de entender e viver o dom do amor. Leva ao altar de Deus todo esse amor, fazendo oferecer toda a existência e vida partilhada em comunidade. Abre mão de se próprio para o amor renascer e dizendo que não pertence a si próprio, mas ao Senhor da vida. E tudo isso, com a mais profunda alegria que vem do coração.

Fazendo tudo isso, não com dor no coração, nem com avara reserva , mas com júbilo intenso de alegria. O amor é um dia de sol na alma do consagrado, da consagrada, na verdade, na alma de todo batizados. Um dia em levar a bom termo o desejo de dedicar-se inteiramente a Deus, renunciando ao mundo, a carne e a si próprio por meio dos conselhos evangélicos e da Regra.

Por isso, mesmo diante de tantos desafios do mundo da ciência e tecnologia, o ideal franciscano do amor deverá continuar presente em toda vida franciscana. Não como nos primeiros anos, pois a vivência do amor amadurece profundamente o ser humano, porque vai crescendo em cada coração as emergências espirituais de compreensão, de vontade séria e firme, de devotamente consciente e perseverante, de fidelidade a toda prova.

O ideal não é uma obrigação no sentido de uma lei. É preciso distinguir com nitidez, para que não se renovem os distúrbios causados a toda ordem pelos que confundiram a obrigação com a santa liberdade. Mas ter o ideal na busca dos verdadeiros valores da vida franciscana, tendo a vida pautada pela liberdade amplíssima de santidade e perfeição que a Regra aponta. Também, ter a ousadia de renovar a vida franciscana em sua plenitude e atraente, fascinante e fecunda, assim como fez São Francisco de Assis.

Toda vida Franciscana é alimentada pela essência do amor de Deus que se concretiza nos atos de ternura, bondade, carinho e gratidão. O amor abre portas para a verdadeira felicidade, porém, passa também pelo processo de purificação para compreender profundamente o significado do amor. Amar que faz Francisco deixar tudo e abrir a sua alma para o novo horizonte da sua vida que estava acontecendo via o amor.

É este o altíssimo ideal a que aspirava São Francisco, a meta que tentou atingir , a espiritualidade que praticou. Quem quiser ser santo franciscano deve praticar esta espiritualidade do amor entrega, do amor-serviço, do amor-gratuidade, do amor-doação, do amor-perdão etc. Depois desse percurso , chegando a dizer com inteira verdade e sinceridade do seu coração: “Meu Deus e meu tudo”. Porque na vida franciscana, como também na vida da Igreja, Deus, o Altíssimo Senhor, deve ser realmente tudo e fora de Deus os frades, as Clarissas nada deve possuir, nada em absoluto , apontou frei Constantino Koser,OFM.

Frei Constantino continua seu pensamento fazendo uma pergunta: Quem é Deus? Ele explica que o amor transformava esta pergunta numa tortura, pois desejava ardentemente, com ímpetos incontidos, conhecer melhor aquele a quem amava. Tudo, transforma-se-lhe em escala de conhecimento, e assim entendia a essência do amor. Em tudo procurava e via a imagem de Deus e com sofreguidão sorvia os conhecimentos de Deus que lhe eram ministrados, fosse por quem fossem.

Quem ama de fato a Deus compreende as atitudes de São Francisco. Não se pode ter amor forte e generoso de Deus, sem que nasça no coração a fome insaciável de ver a face de Deus, de conhecê-lo melhor. E também nesse desejo de conhecer a Deus a necessidade de ser cavaleiro, para ser franciscano, para ser filha de Santa Clara porque não será nutrido por curiosidade estéril da ciência pela ciência, mas pela luta ardente e sem tréguas contra a angustiosa estreiteza da inteligência criada e contra a fraqueza da vontade, a fim de ter o mesmo amor seráfico que faz de São Francisco e de Santa Clara promotores do amor misericordioso de Deus.

Pesquisado e escrito por Frei Fernando de Araújo,OFMconv.



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