SANTA CAMILLA BATTISTA VARANO (1458-1524) 30 de Maio

Nasceu em Camerino, em 09 de abril de 1458, filha do príncipe Júlio César de Varano e de Dona Cecchina de mestre Giacomo. Sua vida foi profundamente ligada à Ordem dos Frades Menores, em especial a figura de Frei Domingo de Leonisa, Frei Pacífico e Frei Francisco de Urbina. No dia 19 de fevereiro, em Consistório Público, o Santo padre Bento XVI, fez o anúncio oficial da canonização de nossa Irmã, a Beata Camilla Battista Varano, Clarissa. Entre os 8 e 10 anos, fez o voto de meditar todas as sextas-feiras na paixão do Senhor e derramar, ao menos, uma lágrima, voto que manteve com extraordinária fidelidade. Dos 18 aos 21 anos, passou um triênio de íntimas lutas espirituais, atraída pela realidade do mundo, porém, sem renunciar nunca ao seu Senhor sofredor, por amor do qual começou a praticar uma austera ascese.

UM “SIM” SEM CONDIÇÕES

Preferimos copiar suas palavras porque não saberíamos reproduzir de modo melhor esta decisão tão sofrida. Claramente inspirada pelo Espírito e ao mesmo tempo livre e conscientemente acolhida. O “sim” transforma completamente as disposições de Camila, que “com tanto afeto e coragem delibera de servir a Deus, que se fosse necessário sofrer o martírio, prontamente o escolheria, antes de arrepender-se de um tal propósito”. Faz-se logo claro dentro dela, também o lugar no qual a vontade de Deus se cumprirá e sem sombra de dúvida pensa no mosteiro de Clarissas de Urbino, onde viveu santamente a tia.
Nasce nela uma aspiração ardentíssima de deixar o mundo, de abandonar tudo aquilo que antes amava e lhe parecia irrenunciável. É acompanhado de uma profunda humildade do coração, que deriva da convicção de ser a maior pecadora que existe sobre a terra e traz consigo uma gratidão imensa pela infinita misericórdia de Deus que quer perdoar justamente a ela. As graças e os dons de Deus fazem-na sentir-se sempre mais pequena.
Lógica conseqüência do “sim” incondicional e sobretudo da centralidade do Crucificado é o desejo de sofrer, que não é fruto de uma fantasia doentia. Vimos que equilíbrio de mente e de coração existe em Camila! Trata-se, ao invés, de uma realidade tão profunda que somente quem ama pode compreender; somente quem descobriu algo do amor de Cristo, que quis morrer sobre a cruz para dar-nos a vida, pode intuir porque quem o ama deseja, como Ele, condividir ao menos em parte o sofrimento que Ele quis sofrer por nós.
É a mola da vida de Francisco e Clara de Assis, de Coleta de Corbie e de Catarina de Bolonha, de Eustóquia Calafato e de Camila Varani, tantas personalidades profundamente individuais e originais, mas inteiramente unidas a Cristo Pobre e Crucificado.
Este ardente desejo do “mal sofrer” logo é satisfeito porque a jovem adoece gravemente e por sete meses luta entre a vida e a morte. É um sofrimento que carrega com grande alegria e não lhe tira a lucidez da mente e a possibilidade de permanecer unida intimamente ao seu Senhor. Não sabemos de que doença se trata, estamos em grau de afirmar somente que sempre trará consigo as conseqüências, considerando-as um pequeno meio para participar na Paixão de Cristo.

Relíquia de Santa Camila