Ministro Geral convoca revisão das Constituições Gerais das Irmãs Clarissas

Em carta endereçada às Federações do mundo inteiro, Frei Máximo Fusarelli inicia processo de revisão das Constituições de 1988 da Ordem de Santa Clara
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Caras Irmãs,

O Senhor lhes dê a paz!

Estou alegre por escrever-lhes ainda nos primeiros meses do meu serviço de irmão e de ministro da Ordem dos Frades Menores e sei que tenho nesta veste um chamado particular para ter cuidado e solicitude especial por vocês, segundo a expressa vontade de São Francisco. E é neste espírito que, exatamente no início da Novena do Poverello, lhes escrevo a presente carta sobre um tema muito importante e delicado que toca a vida de vocês no seu coração carismático, eclesial e concreto nesta mudança de tempo. Toca também a nós, frades, porque estou intimamente persuadido de que a qualidade da vida evangélica das irmãs sustenta e motiva a nossa de irmãos e vice-versa. O mesmo vale para a perda de sabor, que nos encontra unidos.

O texto atual das Constituições de vocês data de 1985 e foi aprovado em 1988; ele prestou um precioso serviço, sobretudo em dar sempre mais unidade de inspiração e de escolhas fundamentais de vida às Clarissas espalhadas no mundo, caracterizadas historicamente por grandes diversidades no viver segundo a mesma Regra. Em particular, o texto atual ajudou a aprofundar a identidade carismática em contato com os Escritos e a teologia espiritual da Madre Santa Clara. Depois do centenário de 1993, pudemos aprofundá-los de modo novo, chegando a um conhecimento que jamais se pôde ter na história. Uma verdadeira graça que nos enriquece muito para buscar e amadurecer sempre mais uma vida carismaticamente significativa!

As recentes intervenções da Igreja na vida claustral, a Constituição Apostólica Vultum Dei quaerere (2016) e a instrução aplicativa Cor Orans (2018), pedem evidentemente uma revisão do texto das Constituições, levando em conta as indicações que contêm. Ao mesmo tempo, parece-me que se abre a possibilidade de expressar o texto com uma linguagem mais atenta à sensibilidade hodierna e que leve em conta o caminho percorrido nestes quase quarenta anos. Estou bem consciente de que se trata de um trabalho muito grande e exigente e, ao mesmo tempo, muito delicado. Conheço em parte as diferenças de sensibilidade e de abordagem do carisma e dos modos em que ele se encarna nas diversas regiões do mundo. Frequentemente, nas próprias Federações encontramos posições e escolhas diversas. Creio que esta diversidade, com as tensões inelimináveis que traz consigo, não pode deixar-nos parados. Somos chamados
juntos, irmãos e irmãs, para parar, rezar, refletir, reler os vários dados, buscar os modos de chegar a um texto que, levando em conta o momento atual, saiba dizer de modo novo o dom carismático de sempre que o Espírito deu à Igreja através de Santa Clara e de tantas irmãs que nestes séculos, com muita diversidade, viveram a inspiração dela. Refleti e rezei sobre esta proposta e creio que o Espírito no-lo pede hoje.

Portanto, caras Irmãs e Madres, dirijo-me a vocês para pedir-lhes com humildade que acolham com docilidade ao Espírito o convite a uma revisão e redação do texto que ajuda a interpretar e viver hoje a Regra de Santa Clara de modo a poder manifestar a permanente vitalidade do carisma de vocês.

Todos nós sabemos que é necessário muito empenho e capacidade de mediação; sei que haverá tensões inevitáveis, diferenças de pontos de vista e de metodologias; poderão também emergir fadigas na escuta e na avaliação das diversas experiências em ato; seguramente o diálogo intercultural não será fácil, e nestes quarenta anos a Ordem cresceu em regiões, culturas e linguagens novas do mundo. Se é verdade que não podemos ser adoradores de cinzas, mesmo sagradas, mas mulheres e homens capazes de acolher a novidade que o Espírito semeia ao nosso redor, então não nos apegaremos a formas, gestos, símbolos e modalidades do passado nem buscaremos novidades a todo custo. Sabemos que só o Espírito nos liberta e renova todas as coisas; por isso, ele quer infundir um hálito regenerado também à nossa forma de vida. E a abertura dócil à sua santa operação não é o fruto mais maduro de uma autêntica vida de busca
do Rosto do Senhor na altíssima pobreza e na santa unidade? Creio que valha a pena, com confiança, humildade e audácia.

Esta carta anuncia por ora a vontade de rever o texto das Constituições de vocês, segundo o que compete à minha faculdade de Ministro geral em força da Regra de Santa Clara cap. 1 e das Constituições art. 121, para promover o processo e acompanhá-lo com discrição através do Ofício Pro Monialibus. Comprometo-me pessoalmente a seguir o processo e a apoiá-lo, segundo as minhas responsabilidades e no pleno repeito à autonomia de vocês. No final, poderei
apresentar o novo texto à aprovação da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada. Já pude falar sobre isto com o Prefeito que encoraja este caminho necessário com paterna proximidade. Também o Definitório geral está informado e concorda.

Caras Madres Presidentes, o novo Delegado geral, Frei Fábio César Gomes, da Província da Imaculada do Brasil, estará presente em Roma depois da metade de novembro e então poderemos também com ele iniciar o trabalho, partindo da consulta para formar uma comissão internacional que chame para colaborar as Presidentes, os seus Conselhos e as Irmãs nos Mosteiros em outros níveis. Se no passado, em nível oficial, a comissão era composta só de Assistentes religiosos, embora valendo-se amplamente do trabalho das irmãs, graças também aos novos meios tecnológicos, estudaremos os modos para envolver mais pessoas neste trabalho.


Falei-lhes com franqueza e com profundo afeto fraterno: creio que este seja o clima no qual o trabalho que iniciamos poderá trazer fruto segundo o coração de Deus. Pedimos ao Senhor que purifique qualquer outro espírito diverso, divisivo, de oposição, de medo, sem temê-lo, porque o Espírito do Senhor é maior. O Senhor nos ajude a buscar juntos aquilo que lhe agrada e a realizá-lo segundo o bem comum.

Desejo-lhes uma luminosa festa de N. P. S. Francisco, verdadeiro amante e imitador de Cristo que, com a Mae Santa Clara, nos recorda que o Evangelho é o coração e a paixão da nossa vida. Abençoo-as e saúdo-as fraternamente

seu irmão e servo
Frei Máximo Fusarelli, OFM
Ministro geral

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