No dia 26 de maio de 2025, às 9h, fiéis reuniram-se na Igreja do Mosteiro Santíssima Trindade, em Colatina, para participar da Solene Celebração Eucarística de Dedicação da Igreja. A cerimônia foi presidida por Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, bispo da Diocese de Colatina, seguindo o rito de dedicação conforme o Pontifical Romano.
A celebração contou com a presença da Comunidade Monástica das Irmãs Clarissas, bem como de diversos presbíteros da diocese que concelebraram a missa. Durante o rito, foram depositadas sob o altar relíquias de santos e beatos, entre eles São Francisco e Santa Clara, São João XXIII, Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, Santa Gema Galgani e Beata Isabel Calduch Rovira.
Em sua homilia, Dom Lauro ressaltou a beleza e o profundo significado da dedicação de uma igreja e de um altar, convidando os fiéis a refletirem sobre a identidade da Igreja como comunidade viva e como espaço de comunhão espiritual. Recordou, com gratidão, os benfeitores responsáveis pela doação do terreno e a importância da presença contemplativa das irmãs Clarissas, sublinhando o papel do Mosteiro como um lugar de oração e de aprofundamento da fé.
O bispo destacou que a Igreja não deve ser vista apenas como uma construção física, mas como uma realidade espiritual e mística que nos conduz à Jerusalém Celeste. Ele enfatizou que o Mosteiro, situado no alto da montanha, simboliza essa busca por uma visão mais profunda da fé e da história, permitindo que os fiéis enxerguem a realidade com os olhos da contemplação.
A liturgia da celebração trouxe leituras do Apocalipse, da Carta aos Efésios e do Evangelho de Mateus, reforçando a mensagem da Igreja como comunidade edificada sobre Cristo. Dom Lauro também destacou a importância da missão dos leigos e o chamado universal à santidade, lembrando que todos os batizados são parte viva da Igreja e chamados a testemunhar o Reino de Deus no mundo.
A cerimônia teve momentos marcantes, como a aspersão do altar e das paredes da igreja, a unção do altar e das cruzes fixadas nas paredes da nave e a incensação do espaço sagrado. O bispo concluiu sua homilia reforçando que o Mosteiro Santíssima Trindade deve continuar sendo um ambiente de graça e inspiração para todos, oferecendo um testemunho profético de vida dedicada à oração e à contemplação.
A dedicação da Igreja do Mosteiro Santíssima Trindade representa um marco na vida da comunidade religiosa, reforçando sua missão espiritual e seu compromisso com a fé e a tradição cristã.
Fonte: Diocese de Colatina
Homilia de Dom Lauro
26/05/2025
Ele começou saudando todos os irmãos e irmãs congregados pelo batismo dizendo que a Dedicação da Igreja e do Altar é uma das cerimônias mais belas da liturgia da Igreja e ela nos permite refletir sobre a própria natureza e identidade da Igreja, e hoje na dedicação da Igreja desse Mosteiro Santíssima Trindade vamos aprofundar nesse significado místico, já que a liturgia já fala por si mesma, e devemos saboreá-la não somente em sua estética, mas em sua beleza mística, pois ela fala da nossa própria identidade, quem somos e o que somos chamados a ser.
Saudou as irmãs e todos os presentes, bem como o representante do Prefeito de Colatina Nilo Locatelli, e relembrou a doação e gratidão ao Sr. Pergentino e Dona Hilária que doaram o terreno, bem como todos os benfeitores, recordando inclusive nosso primeiro bispo diocesano Dom Geraldo. Dom Lauro ganhou uma cruz peitoral quando foi nomeado bispo de Colatina do próprio Dom Geraldo e estava usado ela hoje, bem como paramentos litúrgicos feitos em sua homenagem pelas Cordis.
A liturgia nos ajuda a descortinar essa que é a visão da Igreja, do Alto, Esposa do Cordeiro, a Jerusalém Celeste a Morada do Cordeiro… a arte representada no côro das irmãs é uma evocação para a qual caminha toda a Igreja. Quando Dom Geraldo pensou no Mosteiro foi porque considerava uma diocese incompleta se não houvesse a presença da vida contemplativa. Pois somente com esse olhar do alto, não necessariamente físico, (o mosteiro é instalado no alto, em uma montanha) do alto a gente vê melhor, equivoca-se quem pensa que uma contemplativa está alienada do tempo e da história, só se vê bem o chão, a história e a realidade olhando do alto, em profundidade, em realidade profunda, ultrapassando a superficialidade, mas consegue-se enxergar realmente o desígnio de Deus e sua salvação, a presença do Mosteiro é uma grande graça, uma bênção, para nossa diocese e para a humanidade, seja em seu início modesto, e seja agora nesse espaço internamente concluído e esperado pelas irmãs. Coube a mim o privilégio como quarto bispo de Colatina dedicar essa Igreja e consagrar este Altar.
A primeira leitura do Apocalipse chamou a nossa atenção para vermos em profundidade a realidade da Igreja, ela não é simplesmente uma realidade sociológica, mas uma realidade que só se pode enxergar bem pela fé, Jerusalém que é morada de Deus, do Cordeiro, vimos como que uma janela se abrir para nos mostrar o que somos, e aquilo para qual caminhamos como peregrinos de esperança cujo cordeiro é a luz dessa Jerusalém.
A segunda leitura da carta aos Efésios também refletiu da realidade da igreja com comparações, como família de Deus, com construção de Deus, mas não se fala do prédio, mas as pessoas, a igreja somos nós, os filhos de Deus, as pedras vidas, tudo isso foi formando a Igreja.
O templo deve ser digno, belo, e ao mesmo tempo simples e lugar de agregar.
O evangelho tirado de Mateus é em um momento importante da vida de Jesus em que ele depois de exercer seu ministério pergunta a seus discípulos “quem dizem os homens que eu sou?” e as respostas todas positivas, descrevem singularidades da sua missão, mas são incompletas e por isso incorretas. E Jesus não se contenta com essa opinião pública, ele quer um olhar profundo, o mosteiro é lugar para ajudar os fiéis a mergulharem e enxergarem com profundidade, e Pedro em nome de todos o grupo, em nome de toda a Igreja de todos os tempos responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”; e Jesus dirige a Pedro o maior número de palavras que Ele dirige a um interlocutor, mostrando a nossa identidade a Igreja é de Cristo ela não é nossa, ela tem raízes Trinitárias. A Trindade é nossa pátria. Aqui nesse Mosteiro é lugar de comunhão, casa de oração, do povo de Deus, templo do Espírito Santo, congregado na unidade do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Na Lumen Gentium, luz dos povos, mas não é a igreja que é a luz, mas o Cristo o seu Senhor que é a luz que resplandece na face da Igreja.
O crucifixo que evoca o de São Damião nesse Mosteiro bem mostra isso na Trindade que é revelada pelo Filho, e esse Mosteiro existe aqui do alto para nos lembrar sempre mais desse mistério que é a nossa origem e a nossa meta e que nos envolve diante do qual não somos apenas interlocutores, mas estamos incluídos pelo batismo, pela esperança, pela fé e a caridade.
“Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”
A identidade profunda da Igreja que em sua hierarquia jamais deve ser clerical, mas lava pés e serviço daqueles que retirados do povo, congregam e servem esse mesmo povo. E nesse sentido o que nos une é o batismo, não existe ninguém que pode se dizer maior, porque quem nos lava é o Senhor pelo batismo. Povo de Deus lavado, assembleia de Deus, para prestar louvor na nova aliança pelo sangue do cordeiro, nosso Senhor Jesus Cristo. Leigo é batizado e enviado a fazer diferença. Os leigos que frequentam esse mosteiro devem buscar a santidade universal a qual todos os batizados são chamados. E nenhum de nós temos morada permanente nesse mundo estamos a caminho da morada permanente, em modelo de tudo isso temos Maria como membro mais excelente, em seu sim incondicional.
Aqui nessa igreja do Mosteiro Santíssima Trindade deve-se cantar essa bela liturgia da igreja nas vozes daquelas que foram capazes de descobrir o essencial, o tesouro escondido no campo do mundo, deixando tudo para se consagrar inteiramente a Deus na pobreza, na obediência e na castidade, a beleza dessa igreja está nisso vocês são um testemunho profético para a vida que nos aguarda a todos, interpelação para nossa Igreja de Colatina e no mundo inteiro, como testemunho da vida feita de oração, de serviço, de dedicação, nessa igreja, nesse mosteiro nessa reclusão, nessa intimidade com Deus nessa alegria estampada no rosto, não somente nesse dia da consagração, mas alegria perene e constante e perene que vem do Espírito.
Que essa casa de oração seja sempre um ambiente de graça e interpelação para não apenas receber, mas sermos missionários pelo anúncio do Reino.
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