Lançado em: 01-04-2017

Reflexão do V Domingo da Quaresma.

Amados irmãos e irmãs, Paz e Bem! Hoje chegamos ao quinto domingo da quaresma e cada vez mais nos aproximamos do grande mistério pascal. A liturgia nos faz um convite muito oportuno e belo, que é percebemos que Deus sempre vem ao nosso encontro e por isso, nem a morte tem a última palavra em nossas vidas. O amor de Deus por nós é tão intenso e forte que não há obstáculos para que Ele nos alcance e mude a nossa vida.

A Primeira Leitura foi retirada da terceira parte do livro de Ezequiel, sendo uma mensagem de conforto, de esperança para o povo que estava vivendo o exílio da Babilônia. Mesmo o povo tendo pecado e se aproximado dos falsos deuses, o Senhor não se esquece dos seus. Deus não nos abandona, mesmo sendo pecadores. A mensagem do profeta é uma mensagem de vida: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor.” (Ez.37, 12-13). Não devemos aqui entender esta mensagem, como o anúncio da ressureição final, mas sim, como o reerguimento do povo que passa por todo tipo de dificuldade no exílio. Este reerguimento se dá, porque, o próprio Senhor, infunde seu Espírito e nos dá vida.

Amados irmãos e irmãs, o Senhor quer derramar sobre nós seu Espírito. Diante dos exílios existenciais que vivemos em nossos dias, Ele não nos abandona, não se esquece de nós, por mais difícil que seja o que estamos passando, Deus não nos permitirá perecer. Assim como através do profeta, Ele anunciou ao povo a futura libertação, na pessoa do Cristo, luz do mundo, Ele nos apresenta a mensagem definitiva, que nos convida a uma entrega, a uma adesão concreta com o projeto da salvação. Não percamos a esperança. Não a depositemos em nada e nem em ninguém, a não ser no Senhor, pois diante dele nossa vida ganha pleno sentido.

Na Segunda Leitura, o Apóstolo Paulo, nos apresenta um paralelo de duas realidades diferentes: A vida da carne e a vida no Espírito. A primeira pode ser comparada a uma vida no pecado, uma vida distante de Deus. Nesta vida da carne, estamos presos a inúmeros cativeiros e correntes e nossa liberdade é trocada por um falso ideal de felicidade, podemos nos achar felizes, mas esta felicidade dura muito pouco tempo, é ilusória. Mas, se estamos na vida do Espírito somos vitoriosos em Cristo. Nem a morte pode nos vencer. A vida no Espírito é uma experiência de mudança, de conversão, de fé e não é feita por obras extraordinárias. Deus quer agir no nosso cotidiano, nas pequenas coisas, aonde temos mais dificuldades. É aí que ele quer derramar o Espírito Santo, para nos dar vida nova.

No Evangelho, somos convidados a meditar sobre um trecho muito importante para a nossa vida de fé: a ressureição de Lázaro. Este é o sétimo e último sinal do Evangelho de João, que apresenta Jesus como Messias. É um sinal claro e forte. Jesus não é o Messias que Israel esperava: vingador, glorioso. Ele é a “ressureição e a vida”. (Cf. Jo. 11,25). Esta é uma verdade que nada e nem ninguém poderá apagar, Jesus Cristo é a ressureição, porque é por sua morte, que no último dia seremos ressuscitados. É a vida porque, é o nosso alimento verdadeiro e aquele que Nele crer, não morre.

Esta glória divina manifestada na pessoa do Cristo se mistura com sua humanidade e nos mostra a ternura de Deus. Ao chegar e ver seu amigo morto, Jesus se emociona, se comove, toma a dor de Marta para si, senti no seu próprio coração, divino e humano, a perda. Meu irmão e minha irmã, Jesus não está alheio a sua dor, ao seu sofrimento, as suas cruzes. Assim como Ele sentiu a dor da família de Lázaro, sente a sua dor também. Deus não é alguém distante, é próximo, é pessoa e quer ser nosso amigo. Se formos amigos de Jesus nem a morte pode nos vencer, só a amizade verdadeira com Jesus nos fará ressuscitar no último dia. Amando com o nosso coração, veremos que Ele não cansa de ser misericórdia para nós. Deus é amor!

É belo o testemunho da fé de Marta. Ela sabe que está diante de Jesus e que Ele é o Messias, assim Marta professa sua fé em Jesus: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. (Jo. 11, 27). Diante da morte, da dor, do sofrimento, diante daquilo que para nós parece impossível, não podemos pensar em outra coisa a não ser, assim como Marta, reconhecer quem é Jesus. Esta profissão de fé de Marta é um sinal atemporal para a humanidade, na fé simples e grandiosa dessa mulher vemos um claro testemunho de que, diante da dor não devemos e nem podemos nos esquecer de que Jesus é nosso amigo.

Deste modo, a ressureição de Lázaro é para nós um sinal da glória futura que nos foi dada por Jesus. Meus irmãos e irmãs, não estamos seguindo a uma ideia, não estamos seguindo algo abstrato, não estamos perdendo nosso tempo, nossa vida. Estamos diante daquele que fora prometido pelos profetas e que veio ao mundo para ser nossa salvação. Jesus Cristo, o Verbo de Deus encarnado, não nos engana. Se o amarmos, nem a morte, nem a dor, nem as dificuldades que fazem parte da nossa vida terão a última palavra sobre nós. Não tenha medo de, assim como Marta ir a Jesus, mostrar a sua dor, o seu sofrimento. Não permita que o sofrimento, a dor te faça esquecer de que tens um amigo, que não se cansa de amar, de perdoar e de ser misericordioso.

Que Deus nos dê a graça de sempre, em todo e qualquer momento, sermos amigos de Jesus, para que a nossa vida tenha o verdadeiro sentido.

Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventual



ÚLTIMOS LANÇAMENTOS

Lançado em: 12-08-2017

Homilia do XIX Domingo do Tempo Comum.


Lançado em: 06-08-2017

Homilia da Festa da Transfiguração do Senhor.


Lançado em: 29-07-2017

17º Domingo do Tempo Comum


Lançado em: 22-07-2017

16º Domingo do tempo Comum


Lançado em: 15-07-2017

15º Domingo do tempo Comum