Lançado em: 02-09-2017

Homilia do XXII Domingo do Tempo Comum.

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Estamos no Tempo Comum, que é marcado pela experiência do discipulado de Jesus. É um tempo propício para refletirmos sobre a nossa caminhada de fé, sobre nossa experiência com Deus. Viver bem este tempo litúrgico é aprender a ouvir e ver a Deus nos gestos concretos do cotidiano.

A Primeira Leitura (Jr 20,7-9) é um dos mais belos trechos do Antigo Testamento. A exegese o enquadra dentro das “confissões de Jeremias” (Cf. Jer 11, 18 – 12, 6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 18-23; 20, 7-18). No trecho de hoje, percebemos a profunda dor de Jeremias. Após a morte do rei Josias, ele é perseguido implacavelmente, pelos seus concidadãos. Passam a culpá-lo por todas as situações negativas que ocorriam em Israel. Cumprir a missão que Deus o ordenou tornou-se, para ele, motivo de zombaria. A dor experienciada por Jeremias é tão forte, é tão intensa, a ponto de que ele pensa em não mais cumprir sua missão como profeta, em abandonar, em desistir daquilo que Deus tem para ele.

Amados irmãos e irmãs quantos de nós hoje não nos encontramos na mesma situação de Jeremias? Quantas vezes por anunciar o evangelho de Jesus Cristo, passamos por incompreensões? Quantas vezes por tentar ser honesto, ser correto não sofremos retaliações? A maior incompreensão, perseguição não está longe de nós, ela vem de pessoas próximas, daqueles que menos esperamos. Diante da situação que você tem vivenciado em sua casa, com sua família, sendo incompreendida por seu esposo e filhos, sendo incompreendido por sua esposa e filhos é preciso resistir, mesmo que soframos por algum momento, mesmo que, passemos por estas provações, é preciso ser fiel que possamos dizer como Jeremias: “[...] havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia”. (Jr. 20,9). No nosso coração deve arder a chama do amor de Deus, da sua infinita misericórdia, do seu carinho conosco, só assim persistiremos até o fim.

A Segunda Leitura (Rm 12, 1-2) está inserida na parte mais moral da Carta. O apóstolo aqui exorta a comunidade de fé a renunciar a mentalidade mundana. Paulo conclama o povo a se oferecer como: “oferta viva, santa e agradável a Deus.” (Rm 12,1). A exegese entende que neste momento, o que está a ser dito aqui é um convite à alma sacerdotal da comunidade. É preciso oferecer-se a Deus por inteiro, dar-se totalmente, mudar a nossa mentalidade para que possamos aderir ao projeto de Deus.
Outro ponto interessante a meditarmos é este: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do espírito.” (Rm 12,2). Mas o que é conformar-se com o mundo? O que o apóstolo quer dizer é que muitas vezes, aderimos a uma mentalidade que não é a do reino de Deus. Todas as vezes que buscamos o hedonismo, que deixamos a indiferença falar mais alto, que não nos preocupamos com nossos irmãos e irmãs sofredores, que não amamos nossas esposas, que não amamos nossos maridos estamos nos conformando com o mundo.

A verdadeira transformação brota da cruz, da oferta de si mesmo, juntamente, com o Filho de Deus, é preciso, primeiramente, dentro de nossos lares, melhorarmos nossas relações. Não adianta nada sermos pregadores, trabalharmos em nossas pastorais, sermos líderes em nossas paróquias, se dentro das nossas casas o que impera é a mentalidade do mundo, é a conformação com o mundo. É preciso transformar os nossos lares, sairmos dos nossos escritórios para dialogarmos com nossas esposas e filhos, com nossos esposos e filhos. Dar tempo a nossa família, reconhecer nossas falhas como pai e como mãe, como filhos, pedir perdão.
A vida de aparência que muitas de nossas famílias têm levado, em que, encenamos uma perfeição para os outros, nos mostramos como santos para os de fora é a maior conformação com o mundo e a maior renúncia ao reino de Deus que podemos fazer. Para transformar o mundo é preciso se ofertar pela nossa família, oferecer-se a Deus, ser um pai melhor, que ama que reza que cuida, que tem coragem de pedir perdão, que sai do escritório para dialogar com os seus, ser uma mãe melhor que pede perdão quando erra, que se doa a sua família.

O Evangelho (Mt 16,21-27) é o quando Jesus narra aos seus discípulos a necessidade ir à Jerusalém para ser crucificado. Pedro que no Evangelho do Domingo passado tinha sido chamado de bem-aventurado, por ter dito que Jesus era o Messias, o Filho do Deus vivo, hoje se assusta e tem tanto medo do anúncio da paixão, a ponto de querer impedir a Jesus que cumpra sua missão. Nós também, muitas vezes, nos momentos de alegria de felicidade, dizemos que Jesus é o nosso Deus, é o nosso Senhor, é o Salvador, mas e quando a cruz aparece?

A cruz para muitos é sinal, unicamente, de sofrimento, todavia, quem olha para ela e só vê a dor nunca vai descobrir o que é a amar de verdade. Na sociedade hodierna, estamos nos acostumando com uma cultura de aniquilação do sofrimento e isto tem entrado em nossa religião. Estamos nos relacionando com Deus, buscando um cristianismo sem cruz. É uma religião de supermercado, em que eu escolho aquilo que quero, o que me satisfaz. Eu abraço aquilo que me parece bom e quando vem o sofrimento, abandono a Deus. Digo um dia que é meu Senhor e no outro esqueço-o, abandono-o, porque na verdade tenho procurado servir a mim mesmo.
Jesus, diante da atitude de Pedro, nos recorda: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga me; pois, quem quiser salvar sua vida vai perdê-la; mas quem perder a vida por amor de mim vai encontrá-la de novo”. ( Mt 16, 24-25). Sem a cruz a salvação é impossível. Não é um sofrer por sofrer, ou um desejo pelo sofrimento que Jesus está dizendo. O sofrer é inerente à condição humana, mas nenhum sofrimento em Deus é vão, deia de produzir frutos, de nos trazer a vida eterna. Somo acometidos por muitas tribulações, mas a cruz não tem a última palavra em nossas vidas. Aceitar a cruz é abandonar o apego às coisas deste mundo, é viver fora da mentalidade do acúmulo, do consumo, da indiferença. Jesus nos convida a um seguimento, um discipulado que se instaura por amor. Que Deus nos dê a graça de amá-lo, de não abandonarmos nossas missões por causa da cruz, mas sim, carregá-la com alegria.


Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.



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