Lançado em: 19-05-2018

20 de maio de 2018 – Solenidade de Domingo de Pentecostes – Ano B

LEITURA I – Act 2,1-11

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 103 (104)

Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovai a face da terra.

LEITURA II – 1 Cor 12,3b-7.12-13

EVANGELHO – Jo 20,19-23

Celebramos com muita alegria a festa do Espírito Santo. Ele é Deus, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É o Amor infinito que une o Pai e o Filho desde toda a eternidade.
Ele veio encher o coração dos Apóstolos no dia de Pentecostes, inundando-os de alegria, de fortaleza, e de sabedoria.

Recebei o Espírito Santo

O divino Consolador actua na Igreja ao longo dos séculos e renova-a com a Sua acção divina. Por isso a Igreja é sempre antiga e sempre nova. Os vários impérios foram-se desmoronando com o andar dos tempos, a Igreja permanece para sempre, porque é animada e guiada pelo Espírito Santo.
Cada ano a Igreja nos convida a crescer na devoção ao Divino Consolador, à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é tantas vezes o grande desconhecido ou, pelo menos, o grande esquecido. E sem Ele não podemos fazer o mais pequeno acto bom: ”Ninguém pode dizer Senhor Jesus a não ser pela acção do Espírito Santo” (2º leit).
Avivemos, neste dia, o nosso desejo de O conhecer melhor e de lembrá-Lo mais vezes em cada dia. Peçamos que renove o nosso coração e transforme a face da terra.
Ele é o fogo do Amor de Deus, que jorra na Trindade e une o Pai e o Verbo desde toda a eternidade.
Por isso dizemos no Credo “ que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho recebe a mesma adoração”
“Na Sua vida íntima – diz João Paulo II –Deus “é Amor” (1 Jo,4,8.16),amor essencial, comum às três Pessoas divinas: mas amor pessoal é o Espírito Santo, como Espírito do Pai e do Filho”. S.JOÃO PAULO II, Enc.Dominum et vivificantem, 10)
Peçamos ao Divino Consolador que nos ajude a penetrar no mistério dessa vida infinita da Trindade.
Só guiados pelo amor o poderemos conseguir. Temos de ser almas de oração, pessoas que procuram viver na intimidade de Deus. Uma humilde costureira espanhola, Francisca Xaviera del Valle, escreveu um livro muito bonito, Decenário do Espírito Santo. Ainda hoje é muito proveitoso para quem o lê, ensinando muitas coisas belas e profundas sobre o Paráclito. E não tinha estudos teológicos mas era alma de muita vida interior.

Baptizados num só Espírito

O Espírito Paráclito actua na Igreja, nos Apóstolos e os seus sucessores. Guia-os e ilumina-os.
E actua na alma de cada um dos fiéis. Santifica-nos, realiza em nós o projecto maravilhoso de Deus que nos chama à santidade.
Ele trabalha para configurar-nos à imagem de Jesus Cristo. ”Deus predestinou-nos para sermos à imagem de Seu Filho” (Rom 8,29). O Paráclito está em nós, pela graça, que nos torna filhos de Deus, filhos no Filho. Ensina-nos a viver como filhos e a tratá-Lo com a simplicidade de meninos pequenos “Todos vós – diz-nos o Apóstolo – sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus…E uma vez que sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Abbá! Pai!. De maneira que não és servo, mas filho e também herdeiro por obra de Deus” (Gal 3,26 e 4.6-7)
Ser santo é parecer-se com Jesus em toda a nossa vida e o Espírito Santo, se O deixarmos actuar, vai realizando em nós essa obra divina. Como artista maravilhoso, que imprime em nós o retrato vivo de Jesus. “Cada um dos santos é uma obra prima do Espírito Santo” (S. JOÃO XXIII, Aloc 5-VI-!960)
Estejamos atentos ao Divino Paráclito. Deixemo-nos conduzir por Ele, não estorvemos a Sua acção em nós. ”A tradição cristã resumiu a atitude que devemos adoptar perante o Espírito Santo: docilidade. Ser sensíveis ao que o Espírito Divino promove à nossa volta e em nós mesmos: aos carismas que distribui, aos movimentos e instituições que suscita, aos afectos e decisões que faz nascer em nosso coração”(JOSEMARIA ESCRIVÁ, Cristo que passa,130)

Francisca Xaviera del Valle escreveu: “Este divino Mestre põe a Sua escola no interior das almas que lho pedem e ardentemente desejam tê-Lo por mestre…O Seu modo de ensinar não é com palavra. Rara vez fala, alguma vez nos princípios; se se põe em prática bem a lição que Ele ensina costuma falar mas muito pouco para manifestar-nos com isso o Seu agrado. E tem de estar a prática bem feita, porque nesta escola tudo é para praticar o que ensinam e senão o praticam é assunto arrumado, a escola fecha e não se abre …O Seu modo de ensinar é por meio duma luz clara e formosa que Ele põe no entendimento” (FRANCISCA XAVIERA DEL VALLE, Decenário do Espírito Santo, Consid. para o 4º dia)
Estejamos atentos às Suas inspirações. Guardemo-las cuidadosamente em nossa alma e procuremos realizá-las docilmente. Ele enche de alegria o nosso coração.
Maria é o grande modelo de docilidade ao Divino Paráclito. A Ela acudiram os Apóstolos para preparar o Pentecostes. “Perseveravam unidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus” (Act 1,14). Peçamos -Lhe que saibamos conviver com mais intimidade com o Divino Santificador.
Não estorvemos a Sua acção em nossa alma pelo pecado. “Não contristeis o Espírito Santo” (Ef.4,30) – adverte-nos S. Paulo. Temos de evitar decididamente o pecado mesmo venial.
Devemos acudir muitas vezes ao Sacramento da Confissão, que nos limpa do pecado, que abre a nossa alma às graças de Deus, que nos torna mais sensíveis às moções do Espírito Santo.
Havemos de guardar com todo o empenho as inspirações do Divino Paráclito, os bons pensamentos e desejos que desperta em nossa alma.
Que sejamos almas de oração, que procuram viver na presença de Deus pelo dia fora e assim dar conta das mais pequenas sugestões do Divino Consolador.

Línguas de fogo

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas de fogo, que encheram os seus corações e os levaram a sair da segurança do Cenáculo, para irem por toda a terra a falar de Jesus. Com uma sabedoria e fortaleza que não tinham explicação humana.

O Espírito Santo não só santifica a nossa vida mas impele-nos a comunicar aos outros o amor de Deus, que põe em nós. Como fogueira bem acesa que alastra o incêndio à sua volta. O mal deste mundo é que muitos cristãos são fogueiras apagadas. Por isso não pegam o fogo do amor de Deus a ninguém.
Doze pescadores do mar da Galileia levaram a doutrina de Jesus ao mundo inteiro. Porque amavam a Jesus, porque o Espírito Santo encheu as suas almas de fogo, de sabedoria e de fortaleza para falarem de Jesus a toda a gente.
Perderam o medo às perseguições e aos sofrimentos por Cristo. O Espírito Santo fez que encontrassem alegria no meio desses sofrimentos. O livro dos Actos diz que os chefes dos judeus prenderam os Apóstolos e os mandaram açoitar. “Eles saíram do Sinédrio, contentes por terem sido achados dignos de sofrer pelo nome de Jesus” (Act.5,41)

Vamos pedir ao Divino Paráclito que nos encha da sabedoria e do fogo do amor de Deus. E que nos conceda a fortaleza dos Apóstolos e dos primeiros cristãos. Ser discípulo de Cristo, nos três primeiros séculos, equivalia a ter a vida em risco. Muitos morreram mártires sofrendo alegremente por Jesus. E o cristianismo foi alastrando por todo o Império Romano. “Sangue de mártires é semente de cristãos” –exclamava Tertuliano nos finais do século II.
Também hoje continua a haver mártires. Também hoje os cristãos têm de ser valentes. O mundo precisa de nós para levar o amor de Cristo a toda a parte.

A valentia manifesta-se em coisas relativamente pequenas. Um dia o Cura d’Ars recomendou a uma jovem que se confessou com ele que comungasse com frequência: cada quinze dias, que naquela época era considerada frequente. A jovem expôs uma dificuldade: – Padre, na minha terra isso não é costume.
– Não importa, se não é hábito começa-lo tu.
Passado algum tempo a jovem voltou.
– Padre na minha paróquia todos me apontam a dedo por comungar todos os quinze dias.
– Não tens amigas ? – perguntou-lhe o santo Cura d’Ars. São boas? Leva-as a que comunguem contigo e já não serás a única.
Depressa voltou a jovem com outras duas que se haviam comprometido a imitá-la. Seis meses depois já eram uma dúzia.
Algum tempo mais tarde veio o pároco agradecer ao santo pelo bem que tinha realizado na sua paróquia.

Levamos o Evangelho não como alguém que tenta impingir uma mercadoria para proveito próprio. Levamos a mensagem de Jesus porque ansiamos repartir com os outros a alegria do amor de Cristo, o único que pode tornar as pessoas felizes.
Espalhamos essa felicidade com o nosso exemplo de alegria, com nossa amizade, com a nossa palavra e com a nossa oração e sacrifício. O mundo precisa urgentemente deste testemunho dos cristãos.
Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo.Com Nossa Senhora roguemos-Lhe que venha aos nossos corações, que nos encha da Sua luz e do fogo do Seu amor.

Paróquia São Luis

paroquiasaoluis-faro.org/20-de-maio-de-2018-solenidade-de-domingo-de-pentecostes-ano-b/



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