Lançado em: 02-12-2017

Por um Advento Diferente.

O Tempo do Advento abre o ano litúrgico da Igreja e se caracteriza como um tempo de espera, de preparação para o Natal do Senhor. A sua celebração acontece há séculos dentro da tradição da Igreja, sendo celebrado no Ocidente, a partir do século VI. O Advento se divide em quatro domingos, sendo os dois primeiros voltados à escatologia, ou seja, sobre a reflexão da segunda vida do Senhor, e os dois últimos, voltados a meditação sobre a encarnação do Verbo de Deus.

Um dos símbolos que marcam as nossas Igrejas neste período é a coroa do advento, que geralmente é feita em forma de círculo e nos remete aos quatro domingos que formam este tempo. As quatro velas, que compõe a coroa, vão sendo acessas a cada domingo, da mais escura a mais clara, isto para nos recordar, que a espera que a Igreja nos propõe neste tempo, é a uma vigilância alegre, que nos deve levar à escuta mais assídua e atenta da Palavra Encarnada que vem ao nosso encontro.
De tudo isto que afirmamos, percebemos que no Advento, devemos estar vigilantes, atentos, esperando o Senhor que está para vir para salvar os homens. Entretanto, nós devemos meditar muito sobre o que é esta espera. Uma rápida olhada nos dicionários pode nos apontar que tal verbo indica uma não ação, uma não tomada de decisão, um aguardar por algo que está por vir. Entretanto, será este o sentido da espera que a liturgia nos propõe?

A resposta a este questionamento é negativa. A espera do advento não é um não agir, uma experiência de mera passividade, de paralisia espiritual. A espera que a Igreja nos pede é uma espera autêntica, dinâmica, modelada na experiência da fé, vista a partir do amor de Deus que vem aos homens. Nós aguardamos o Senhor que vem, mas este aguardar nos deve levar a uma preparação, a uma ação, a um modo de ser e de agir diferente do que estamos apresentando.

A forma como estamos nos comportando dentro da sociedade de hoje, nos faz ter um modo de agir diferente desta espera litúrgica. Acostumamo-nos a receber tudo em nossas mãos, a sermos servidos, bajulados, nos tornamos apáticos, preguiçosos, pessimistas, perdemos a capacidade de tomar a iniciativa. É sempre o outro que deve sair do seu lugar e vir a mim, se não eu não o perdoo, não o amo. Passamos a esperar sempre, esperar passivamente, na inércia a ponto de apodrecermos e perdemos a oportunidade de viver melhor.

A proposta de Advento diferente, passa pelo entendimento do real sentido deste tempo litúrgico, como também, pela mudança do nosso modo de intuir a espera. É preciso mudar, retomar o verdadeiro sentido das coisas, abrir os horizontes de nossa reflexão, aprender a pensarmos diferente, sermos diferentes e agirmos diferente. Temos um modelo para isso, que é Jesus de Nazaré, que em sua vida sobre a terra esperou que os desígnios do Pai se cumprissem, mas sempre caminhando, indo de cidade em cidade levando a mensagem da salvação.

A mudança real que devemos fazer é propor um advento que se baseia no Evangelho. Um advento dos “Benditos de meu Pai” (Mt 25,34), daqueles que tem iniciativa, que tem a coragem de mudar, que sabem que a verdadeira espera acontece no agir em favor do outro. Estes benditos do Pai são os que esperam a vinda do Senhor indo ao que tem fome, aos que tem sede, aos que não tem o que vestir, que estão presos, aos que estão doentes, que não tem onde morar, pois estes veem a Jesus que nasce em todos os irmãos e irmãs. Esta é a espera autêntica que demos ter, é o modo de agir para nos prepararmos para o Natal do Senhor.

Deste modo, só teremos um Advento diferente se reaprendermos o que significa espera e sairmos da inércia, da comodidade, da incapacidade de se sensibilizar, para assim nos prepararmos para receber o Senhor que vem. A verdadeira espera que o Advento nos convida é a partilha daquilo que possuímos em excesso em nossos lares e que pertence aos que nada tem. Para fazermos um advento diferente é preciso uma mudança que tem início em cada um de nós e que tem culminância em nos tornarmos benditos do Pai.

Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais



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