Lançado em: 10-12-2017

Não podemos esperar grandes acontecimentos para mudar, todo o dia é dia de procurar preparar o caminho do Senhor

Louvado seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem! Amados irmãos e irmãs, chegamos ao segundo domingo do tempo do advento e o tema central da liturgia da palavra de hoje é a conversão. Nós que estamos nos preparando para celebrar a encarnação do Verbo de Deus, devemos ter em mente que tal preparação passa pela conversão, que é a mudança concreta do nosso modo de pensar e, sobretudo, de agir e que tem Jesus de Nazaré como modelo.

A Primeira Leitura (Is 40,1-5.9-11) é um trecho retirado daquilo que a exegese chama de Segundo Isaías (Is 40, 1 – 55, 13), que tem como temática central a consolação ao povo de Israel escravo na Babilônia. A escravidão é fruto do pecado, do afastamento de Deus e de uma mentalidade autossuficiente. Entretanto, Deus vê o sofrimento do seu povo, vê as suas dores e não muda a sua postura misericordiosa e ao perceber o arrependimento do seu povo, vai ao encontro dele.
Esta libertação que o Senhor quer dá ao seu povo passa por um processo de aceitação do projeto da salvação e que tem na conversão um ponto fundamental. Vejamos o que o profeta diz ao povo de Israel: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: a glória do Senhor então se manifestará”. (Is. 41, 3-5.). Mas, o que Isaías que dizer ao afirmar isto ao povo?
O deserto é um lugar de secura, para muitos, de ausência de vida e que por analogia deve ser entendida como a alma. A alma humana, por vezes, é como um deserto fica seca, sem vida, há ausência de tantas virtudes que ela parece estar totalmente fora de Deus e de seu amor misericordioso. Entretanto, na literatura bíblica, o deserto é também o lugar privilegiado de purificação, de encontro com Deus na solidão e de discernimento. Assim também é a alma, uma vez que ela é o “local” privilegiado do encontro com Deus, é nela que o homem percebe como diz Santo Agostinho que Deus é mais íntimo de nós do que nós mesmos.
Estes montes, vales e colinas existentes no deserto e que precisam ser nivelados, segundo o profeta, simbolizam os obstáculos que existem na alma humana e que precisam ser trabalhadas para que nossa libertação aconteça. Muitas vezes, somos escravos, porque em nossas almas há vales intransponíveis do desejo pelo poder, pelo prazer, da autossuficiência. Há montes do perfeccionismo, da falta de perdão, da falta de amor, da falta de fé. Há em nossas almas colinas da ingratidão, da falta de vivência concreta e correta do sacramento do matrimônio, o desânimo, a preguiça espiritual, a ingratidão, o orgulho e a vaidade.
Nivelar e aplainar estes obstáculos, em nossa alma, nos requer esforço e, sobretudo, o auxílio da graça de Deus. Mas, não podemos desistir e nem desanimar, é preciso mudar, melhorar, crescer em Deus para as coisas do alto. Se eu quero me preparar para receber bem o Senhor que vem, preciso aplainar essas colinas, montes e vales que existem na minha alma e que impedem a ação santificadora do Espírito Santo. São nas pequenas coisas do cotidiano que, com o auxílio de Deus, conseguimos vencer essas barreiras, não podemos esperar grandes acontecimentos para mudar, todo o dia é dia de procurar preparar o caminho do Senhor, dentro de mim, pois é no meu coração que ele quer nascer.

Na Segunda Leitura (2Pd 3,8-14) o tema da conversão é apresentado em paralelo com a segunda vinda do Senhor. Assim nos aponta o apóstolo Pedro: “O dia do Senhor chegará como um ladrão”. (2Pd 3,10). Jesus virá em sua glória e julgará a todos nós, entretanto este julgamento não deve ser para nós motivo de temor, de terro, mas sim de expectativa. Se sabemos que o Senhor virá, precisamos nos preparar para Ele. Esta preparação passa, necessariamente, pela conversão. Você precisa ser um pai melhor, amar mais sua esposa e seus filhos, mudar de hábitos ser mais afetuoso, paciente e calmo. Você precisa ser uma esposa melhor, amar mais seu esposo, seus filhos, ser mais afetuosa e paciente. É na sua família que Jesus quer nascer, não em outro lugar, procure preparar o seu lar para o Senhor que está vindo.

No Evangelho (Mc 1,1-8) Jesus Cristo nos apresenta João Batista como modelo de quem procura a conversão e de quem espera o Senhor. Se percebermos, João Batista não fez um milagre, apenas pregou com palavras e com a vida e apontou quem era o verdadeiro Senhor. Não há outro caminho, outro meio para a conversão e, por conseguinte, para a santidade senão apontar quem é o Messias e este apontar deve ser feito com a nossa vida, nosso proceder deve revelar Jesus Cristo, não devemos, em hipótese alguma, procurar nos colocarmos no centro da experiência de fé da comunidade, não podemos viver em busca de aplausos, com uma fé vazia, estética, para os outros verem e nos bajularem, isto é perda de tempo, perda de oportunidade de santificação. Devemos apontar Jesus Cristo e não procurar que as pessoas se apeguem a nós, devemos levar todos a Jesus, só Ele é digno de ser adorado e só Ele é o Senhor.
Olhando a figura de João Batista, percebemos que não precisamos realizar milagres, não precisamos de grandes coisas para nossa conversão e santificação, mas sim, viver o Evangelho, procurar dar testemunho coerente da nossa fé em todos os lugares que habitamos. E tudo isto passa pelo amor, só o amor nos leva a doação, a entrega, a renúncia do nosso egoísmo e a procura pelo serviço e este amor tem como modelo Jesus menino que se encarnou por nós e por amor deu sua vida na cruz.

Marcus Vinicius França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais.

 



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