Lançado em: 16-12-2017

Trocando as Luzes

A celebração do Natal é marcada pela luz. Neste período, vemos as ruas de nossas cidades iluminadas, as casas decoradas, os locais públicos enfeitados. Tudo se ilumina e este período tornou-se um momento de confraternização, de encontro, de união, paz e concórdia. É um período marcado também pelo consumo, pelas trocas de presentes nas ceias familiares. Mas esta é a verdadeira luz do Natal?
Com certeza não. É bem verdade que o tempo do natal é um tempo de luz, é um tempo onde à escuridão é vencida, mas precisamos ter sempre claro em nossos corações, quem é a verdadeira luz do nosso Natal. E esta luz é uma pessoa que veio ao mundo para vencer as trevas, as ilusões desta vida, os exílios existenciais, as obscuridades das injustiças deste mundo. Jesus Cristo é a única e verdadeira luz que deve iluminar nosso proceder.

Toda tradição cristã medita, há um longo período, sobre essa noção de Deus como luz. Santo Agostinho, em sua obra Solilóquios, compara Deus ao Sol. Pseudo-Dionísio, em sua obra A Hierarquia Celeste, propõe uma comparação semelhante. Assim também, procede São Boaventura, no seu Itinerário da Mente para Deus. Nas Escrituras, temos exemplos claros que nos ajudam a entender a importância desta noção para a nossa fé. O Apóstolo João nos diz: “Deus é luz e nele não há treva alguma”. (1Jo 1,5). O Apóstolo Tiago afirma: "Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes" (1Tg 1,17). O próprio Jesus também nos ensina essa particularidade de Deus ao afirmar: "Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." (Jo 8,12).

De tudo isto que afirmamos, percebemos que Deus é a luz incriada, criadora, fonte, origem e causa de toda criação. É luz que emana, se expande, se comunica as criaturas, dá-se a conhecer na figura do Verbo Encarnado, elo entre o Pai e os homens. Esta luz que é Jesus veio ao mundo como uma criança, na encarnação a imensa luz de Deus brilha sobre as trevas da humanidade. É evidente que dizer que Deus é luz não é defini-lo em sua plenitude, mas sim, apontar a ausência de treva, de obscuridade Nele, pois Deus é o Sumo Bem.
Mas, uma questão que pode surgir diante de tudo isto que está sendo afirmado é: qual o papel do homem diante desta luz? A resposta, para isso, passa por entendermos a beleza do homem dentro da criação de Deus. Só a humana criatura é imagem e semelhança do criador, ela é o intérprete privilegiado da criação, sendo capaz de procurar, amar e adorar a Deus pela fé. Por tudo isto, é no homem que esta luz deve brilhar de maneira mais latente e perene. Pelo batismo, recebemos a filiação divina e nos tornamos luzeiros vivos, candeeiros, lâmpadas que devem iluminar o mundo pela luz de Deus.
Diante do Natal, festa da luz, que se aproxima, devemos parar um pouco e refletirmos sobre a nossa realidade. Vivemos em uma sociedade globalizada, capitalista, totalmente voltada para o consumo, a ideia de progresso rege o nosso modo de agir no mundo. Entretanto, percebemos que há grandes trevas em nossa sociedade. Há escuridão dentro de nossos lares, pois ainda há violência doméstica, seja ela física, emocional ou psíquica. Nossos lares estão escurecidos pela falta de amor, de perdão, de cuidado, de carinho,

de diálogo e tudo isto é escuridão para nós.
Há escuridão em nossos trabalhos, uma vez que nos aproveitamos das situações, somos desonestos, procuramos sempre levar vantagem em tudo. Reclamamos de nossos políticos, mas somos corruptos nas pequenas coisas. Há escuridão em nossas Igrejas, posto que, buscamos os melhores cargos, o reconhecimento das pessoas, fofocamos, mentimos, levantamos falsos testemunhos contra nossos irmãos, e tudo por cargos. Não somos capazes de ir ao encontro dos que sofrem em nossa comunidade.
Há escuridão em nosso mundo, pois pessoas ainda são traficadas, são submetidas ao trabalho escravo, morrem de fome, de sede; são vítimas de todo tipo de violência, são tolhidas de sua liberdade, crianças não tem nem o direito a vida. Frente a isso, será que as luzes de nossa cidade, que a enfeitam para o Natal, simbolizam a verdadeira situação de nossa sociedade? Será que não é preciso voltar-se à luz verdadeira?

Meus irmãos e irmãs, precisamos ascendera as luzes do nosso coração para dar ao Natal o verdadeiro sentido que ele merece. Se a Luz Eterna entrou no tempo para nos iluminar, para nos retirar de toda escuridão, precisamos fazer a nossa parte, precisamos ser luz em todas estas realidades de escuridão que ainda existem em nosso mundo. Devemos trocar de luzes, iluminar as nossas cidades com a caridade, com o respeito, com o amor, com o perdão, matando a fome de nossos irmãos que necessitam, visitando os que estão nos leitos hospitalares.

Marcus Vinicus França. Pré-Noviço. OFM. Conventuais



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