Lançado em: 11-02-2020

Louvado sejas meu Senhor por nossa Irmã Enfermidade

           “Francisco, depois uma noite, como não pudesse dormir por causa das dores de sua doença, com piedade e compaixão por si mesmo, disse a seus companheiros: “Caríssimos irmãos e filhos meus, que não vos aborreça nem seja pesado trabalhar pela minha doença, porque o Senhor, por mim, seu pequeno servo, vai restituir-vos todo o fruto de vossas ações neste século e no que vem pelo que não puderdes fazer por vossa solicitude e enfermidade. Vós até tereis um lucro maior por isto do que os que ajudam toda a religião e a vida dos frades.”

             Louvado sejas meu Senhor por nossa irmã enfermidade que nos assemelha ao nosso Esposo, e “completa em nós o que falta a paixão do Senhor”, fazendo-nos participantes de todas as dores e sofrimentos da humanidade.

            Quem de nós já não foi visitado pela irmã enfermidade, seja ela física, psíquica ou espiritual? Impotência diante dos próprios limites, impotência diante da dor... A graça maior é enfrentar essa nossa irmã fundamentados na fé, e quando se fala de vocação à Vida Consagrada, e mais especificamente à Vida Contemplativa de Clausura, se tem a oportunidade de partilhar a irmã enfermidade com as queridas irmãs escolhidas por Deus para viverem conosco no claustro e com as quais criamos laços mais fortes que os sanguíneos. Para uma filha de Santa Clara a enfermidade é a vivência mais radical e plena do nosso voto de viver sem nada de próprio, é o exercício paciente e alegre de viver em fraternidade, principalmente nos momentos em que devemos nos deixar cuidar, e como crianças, precisamos de ajuda para as coisas mais simples do dia a dia como tomar um banho, ou até mesmo se alimentar...  

            A oração que no passado, antes da enfermidade, era tão fervorosa, cheia de consolações, agora, não com palavras, não com a voz forte e potente, não com o vigor físico, mas se aprende a rezar com a alma, até nos tornarmos cada vez mais a própria oração! Quantas de nós puderam testemunhar o momento extremo de dor de uma nossa coirmã, onde a razão já não existe, mas o amor grita ainda mais alto, e se pode ouvir o balbuciar de uma oração, de um canto, o apenas o nome de “Jesus.” É consumir-se no amor sem se desesperar com o mistério da dor, é o testemunho de que a doença é simplesmente o não suportar do corpo, diante de uma alma que nos diz que o nosso lugar é o céu.

            Santa Clara viveu 42 anos em seu Mosteiro de São Damião desses, 28 anos foram vivido em um leito com a irmã enfermidade, até que o vaso de alabastro de seu corpo se rompeu aos 11 de Agosto de 1253 e ela voou para o céu, para as núpcias eternas, perfumando ainda mais a Santa Igreja e toda humanidade.

            Para aquelas irmãs que devem se dedicar dia e noite às suas coirmãs enfermas, sobre elas é derramada uma graça que as ajuda a superar todo cansaço e esgotamento, concedendo-lhes paciência e ternura, pois como nos diz nossa mãe Santa Clara :“Porque todas devem prover e servir  suas irmãs enfermas, como gostariam de ser servidas, se tivessem alguma doença. Manifeste com sua segurança, uma à outra,  sua necessidade. E se uma mãe ama e nutre sua filha carnal, quanto mais diligentemente  deve uma irmã amar e nutrir  sua irmã espiritual?” (Regra de Santa Clara)´

            A irmã enfermidade nos ensina a verdadeira humildade, nos ensina a sermos pacientes, e quer nos lembrar de que somos apenas peregrinos e forasteiros, buscamos o céu.

Uma Clarissa

 



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